El Niño extremo pode recriar tragédias do século XIX, alertam cientistas

Cidades sem água, ondas de calor capazes de matar em minutos e milhões de refugiados climáticos. Essa já é a realidade em várias regiões do mundo em 2026, resultado de décadas de negligência ambiental. Agora, com 70% de chances de um El Niño intenso se formar até junho, especialistas alertam para um fenômeno que pode antecipar os piores cenários climáticos previstos para 2036.

Segundo projeções do Washington Post, o El Niño que se aproxima pode ser um dos mais fortes já registrados, superando até mesmo o evento de 1877. Modelos climáticos indicam, há três meses consecutivos, a formação de um super El Niño, capaz de trazer temperaturas recordes, secas prolongadas, umidade extrema e inundações devastadoras.

Paul Roundy, professor de ciências atmosféricas da Universidade de Albany, afirmou em sua rede social que "a confiança em um evento tão intenso quanto o de 1870 está aumentando". Com alertas vermelhos acendendo em todo o mundo, o próximo período de aquecimento testará não apenas nossos instrumentos meteorológicos, mas também os sistemas globais de governança.

Lições do passado: o El Niño de 1877 e suas consequências

O El Niño de 1877 não foi apenas um fenômeno climático — suas consequências foram sociais e históricas. Como destacou o colunista do New York Times, David Wallace-Wells, as enchentes, secas e ondas de calor da época não foram eventos passageiros: eles deixaram marcas profundas em sociedades já fragilizadas pelo colonialismo europeu.

Fomes dizimaram milhões de pessoas em países como Índia, China, Egito e Brasil. Em seguida, epidemias se espalharam, atingindo de forma desproporcional as populações mais pobres. A crise climática de então revelou a incapacidade dos sistemas políticos da época de lidar com catástrofes em larga escala.

"O que está por vir, como sempre, será tão uma questão de economia política quanto de clima." — David Wallace-Wells, colunista do New York Times

Quem está mais vulnerável ao próximo El Niño?

A capacidade de cada país enfrentar a crise climática depende de sua estrutura política e econômica. Enquanto nações como a China, que investiram em segurança alimentar e energética, podem resistir melhor, outras, como a Índia, já mostram fragilidade diante de pequenas oscilações na cadeia global de alimentos.

Wallace-Wells ressalta que a resposta à crise não será apenas técnica, mas também política: "O que vem a seguir não será apenas uma questão de clima, mas de governança".

Impactos globais do El Niño intenso

Os efeitos de um super El Niño incluem:

  • Temperaturas recordes: ondas de calor intensas, capazes de inviabilizar atividades ao ar livre.
  • Secas prolongadas: escassez de água em regiões já afetadas pela crise hídrica.
  • Inundações devastadoras: enchentes que deslocam populações e destroem colheitas.
  • Crise alimentar: colapsos na produção agrícola e aumento dos preços dos alimentos.
  • Refugiados climáticos: migrações em massa de populações afetadas por desastres naturais.

Os especialistas alertam que, sem ações urgentes para mitigar as mudanças climáticas, eventos como o El Niño intenso podem se tornar cada vez mais frequentes e severos, colocando em risco a estabilidade global.

Para saber mais sobre os impactos das mudanças climáticas na segurança alimentar, leia: Mudanças Climáticas Tornam Alimentos Menos Nutritivos, Alertam Especialistas.

Fonte: Futurism