O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., prometeu "transparência radical" ao assumir o cargo, mas agências sob seu comando têm censurado estudos científicos que contrariam sua postura antivacina.
Segundo reportagem do The New York Times publicada nesta terça-feira (13), o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) confirmou que a Food and Drug Administration (FDA) bloqueou a publicação de pesquisas que demonstram a segurança e eficácia das vacinas contra COVID-19 e herpes-zóster.
A revelação ocorre após o The Washington Post noticiar, no mês passado, que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) cancelaram a publicação de um estudo revisado por pares que comprovava que as vacinas contra COVID-19 reduziam drasticamente o risco de internações e atendimentos de emergência em adultos saudáveis. O estudo foi rejeitado pela diretoria interina dos CDC, liderada por Kennedy, sob a justificativa de "preocupações metodológicas".
Na FDA, dois estudos sobre vacinas contra COVID-19, elaborados por cientistas da agência, haviam sido aceitos para publicação em periódicos médicos. No entanto, segundo o Times, funcionários não identificados da FDA orientaram os pesquisadores a retirar os trabalhos. Embora um resumo preliminar de um dos estudos, apresentado em uma conferência no ano passado, ainda esteja disponível online, o jornal obteve uma cópia do manuscrito completo, cuja conclusão afirma:
"Diante das evidências disponíveis, a FDA continua a concluir que os benefícios da vacinação superam os riscos."