A nomeação de Josh D'Amaro como CEO da Disney há apenas uma semana prometia um novo capítulo na estratégia digital da empresa, com foco no crescimento do Disney+ como "carro-chefe digital". No entanto, a agenda do executivo rapidamente mudou de rumo.
Na última sexta-feira (13), a ABC — rede de televisão pertencente à Disney — entrou com uma ação judicial contra o governo de Donald Trump, acusando-o de violar a Primeira Emenda da Constituição dos EUA. O alvo da investigação é o programa The View, conhecido por suas discussões políticas e sociais.
Antes de assumir o comando da Disney, D'Amaro liderava a divisão de parques temáticos da empresa, onde deixou sua marca com projetos de expansão e inovação. Agora, no entanto, seu legado pode ser definido por uma batalha jurídica contra o ex-presidente Trump e a Comissão Federal de Comunicações (FCC).
A disputa gira em torno de uma investigação iniciada pela FCC, que questiona se a ABC teria violado regras de imparcialidade ao abordar temas políticos em The View. A rede nega as acusações e argumenta que a investigação representa uma censura indevida à liberdade de expressão.
Especialistas em mídia e direito constitucional veem o caso como um teste crítico para o novo CEO. "Essa batalha pode definir se a Disney manterá sua postura editorial independente ou se cederá a pressões políticas", afirmou um analista do setor, que pediu anonimato.
A decisão da FCC de investigar a ABC ocorreu em meio a um contexto de crescente tensão entre o governo Trump e veículos de comunicação. A administração anterior já havia travado disputas judiciais com outras redes, como a CNN e a NBC, acusando-as de viés político.
Para D'Amaro, o desafio é duplo: equilibrar a defesa da liberdade editorial da Disney com a necessidade de manter boas relações com futuros governos, independentemente de quem esteja no poder. "Nossa missão é entreter e informar o público, sempre com responsabilidade", declarou um porta-voz da empresa.
Ainda não há previsão de quando a Justiça decidirá o caso, mas o desfecho pode ter repercussões não apenas para a ABC, mas para toda a indústria de mídia nos EUA.