Mercados de previsão como o Polymarket permitem que usuários apostem em praticamente qualquer evento, mas quando grandes valores estão em jogo, a sorte nem sempre é a única responsável. Em um recente contrato de apostas no Polymarket, os participantes estão apostando em quais personagens da terceira temporada de ‘Euphoria’ — a série da HBO criada por Sam Levinson sobre as vidas caóticas de jovens — morrerão até o final da temporada.
Nate e Rue lideram apostas de morte na terceira temporada
O mercado, intitulado ‘Quem morrerá em Euphoria: Temporada 3?’, aponta Nate Jacobs (interpretado por Jacob Elordi) e Rue Bennett (a protagonista, vivida por Zendaya) como os personagens com maior probabilidade de morrerem nesta temporada, com 82% e 61% de chances, respectivamente.
A resolução das apostas está prevista para 31 de maio, mesmo dia do lançamento do episódio final da temporada. Para os apostadores que escolheram “sim”, o personagem deve morrer na tela ou ter sua morte explicitamente confirmada na trama para que os ganhos sejam validados.
Suspeitas de informações privilegiadas
Embora seja difícil comprovar manipulações, alguns usuários levantaram suspeitas de que pessoas com acesso a informações internas da produção poderiam ter vantagem nas apostas. Um comentário no mercado questionou: “Negociação com informações privilegiadas?” Outro usuário brincou: “Sou um dos atores, mas não vou te contar qual.”
Embora não haja provas de irregularidades, a suspeita é compreensível. Roteiristas, funcionários ou qualquer pessoa ligada à produção poderia lucrar milhares de dólares usando informações privilegiadas. Uma análise dos principais apostadores que escolheram “sim” para a morte de personagens revelou que eles mantêm posições apenas em outros mercados relacionados a ‘Euphoria’, enquanto aqueles que apostaram “não” têm portfólios mais diversificados.
Polymarket e os riscos de insider trading
O Polymarket declarou que não comenta casos específicos, mas afirmou que mantém uma postura firme contra negociações com informações privilegiadas. Em abril, a plataforma revelou ter colaborado com o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) em um caso envolvendo um soldado do Exército americano que teria usado informações confidenciais do governo para lucrar mais de US$ 400 mil em apostas relacionadas a operações militares na Venezuela e à captura de Nicolás Maduro.
A empresa afirmou ter tomado medidas rápidas:
“Quando identificamos um usuário negociando com informações confidenciais do governo, encaminhamos o caso ao DOJ e cooperamos com a investigação. Negociações com informações privilegiadas não têm espaço no Polymarket.”
Outros casos de insider trading em mercados de previsão
O Polymarket não é a única plataforma a enfrentar esse tipo de problema. Em abril, a Kalshi também identificou três casos de negociações com informações privilegiadas por candidatos políticos. A empresa possui salvaguardas, como o bloqueio de apostas de políticos e atletas em temas aos quais estão diretamente ligados, mas ainda assim, casos de insider trading podem escapar dos sistemas de monitoramento.
O CEO do Polymarket, Shayne, não quis comentar sobre as apostas em ‘Euphoria’, mas a discussão sobre ética e transparência nos mercados de previsão continua em aberto.