Homem processa Google após IA 'inventar' acusações de crime sexual

Um caso judicial recentemente protocolado em um tribunal federal dos EUA acusa o Google de difamação por meio de sua ferramenta AI Overview, que teria gerado e disseminado alegações falsas de crime sexual contra um homem de Utah. Segundo a denúncia, as acusações não existem em nenhuma fonte online, mas foram criadas pela IA da empresa e apresentadas como fatos.

Impacto devastador nas vidas pessoal e profissional

O autor do processo, identificado como Murray, relata que, desde a publicação das alegações pela IA do Google, sua vida foi destruída. Ele passou a receber mensagens hostis, ligações acusatórias e até confrontos presenciais, nos quais pessoas exigiam saber "o que realmente aconteceu". Membros de sua família e amigos questionaram seu caráter com base nas informações disseminadas, e até mesmo seu relacionamento romântico foi afetado quando a família de sua parceira o confrontou sobre as acusações.

A humilhação se estendeu a locais públicos: estranhos abordaram Murray em lojas e postos de gasolina para questioná-lo sobre supostas "acusações" ou fazer comentários depreciativos. Pessoas que antes interagiam normalmente com ele passaram a evitá-lo ou cortar contato. Até mesmo funcionários contratados para limpar sua casa deixaram de prestar o serviço após a mãe deles tomar conhecimento das alegações e espalhar o rótulo de "agressor sexual" pela cidade.

Tentativas de esclarecimento ignoradas

Murray tentou repetidamente explicar que as acusações eram completamente falsas, mas muitos se recusaram a ouvir ou, mesmo quando ouviram, não acreditaram em sua versão diante das informações apresentadas pelo Google. As consequências foram graves: perda de clientes, cancelamento de contratos e a iminência de falência pessoal.

Base legal do processo

O processo, protocolado sob o nome Murray v. Alphabet, Inc., alega que o Google, por meio de seu AI Overview, não apenas reproduziu informações incorretas existentes na internet, mas criou alegações falsas do zero. Essa distinção é crucial, pois, segundo a defesa, a empresa não pode se eximir de responsabilidade alegando que a IA apenas sintetizou dados disponíveis.

Precedentes e análise jurídica

Este caso se soma a uma série de processos semelhantes envolvendo difamação por IA. Para mais informações sobre outros casos, clique aqui. Uma análise jurídica detalhada do tema, publicada há três anos, continua relevante e pode ser acessada neste artigo.

"As alegações geradas pela IA do Google não existiam em lugar nenhum da internet. Elas foram criadas pela própria ferramenta, o que representa um novo patamar de risco na disseminação de informações falsas."

— Trecho do processo Murray v. Alphabet, Inc.
Fonte: Reason