Enquanto a popularidade de Donald Trump enfrenta queda e as iniciativas progressistas perdem força como alvo de críticas, figuras da mídia conservadora encontraram um novo inimigo comum: as supostas fraudes em comunidades minoritárias.

O fenômeno ganhou força no início deste ano, quando o influenciador MAGA Nick Shirley viralizou ao gravar vídeos em creches de imigrantes somalis em Minnesota. Em janeiro, o então administrador do CMS, Dr. Oz, realizou buscas em clínicas de Los Angeles em nome da mesma cruzada. O vice-presidente JD Vance, por sua vez, assumiu o título de "czar da fraude", mesmo com sua agenda política cada vez mais restrita. Nesta semana, o Daily Wire publicou uma investigação em série sobre fraudes em cuidados domiciliares.

Porém, enquanto a caça às fraudes se tornava uma obsessão entre os conservadores, um paradoxo surgiu: os mesmos influenciadores que apoiam Trump passaram a defender um fraudador do próprio partido. Em uma campanha coordenada na plataforma X, nomes como o rapper pró-Trump Forgiato Blow e a editora do Gateway Pundit Ada Lluch pedem clemência para Andrew McCubbins, condenado por desviar US$ 89 milhões do Medicare.

McCubbins foi CEO de uma empresa em Utah que ordenava testes genéticos desnecessários, subornando médicos e enfermeiros para solicitá-los a pacientes. Em setembro de 2020, ele se declarou culpado por três acusações, incluindo conspiração para fraudar o Medicare, e concordou em entregar sua mansão de milhões de dólares como parte de um acordo de confisco. Até testemunhou contra cúmplices em outro julgamento.

O detalhe que une McCubbins aos apoiadores de Trump é seu envolvimento em Som da Liberdade, o sucesso de bilheteria conservador de 2023 sobre tráfico humano. Ele atuou como produtor executivo do filme e participou de operações clandestinas da organização que inspirou a produção — hoje alvo de críticas e investigações.

Com a sentença de McCubbins por fraude eletrônica e conspiração para fraudar o Medicare prevista para este mês, influenciadores conservadores iniciaram uma campanha de meses para obter um perdão presidencial ou o arquivamento do caso. O rapper Forgiato Blow, que se autointitula "sobrinho de Trump", publicou em maio no X:

"A matemática desse caso não fecha."

Blow, conhecido por canções como "Eu Apoio o ICE" e por usar um pingente com a cabeça de Trump cravejada de diamantes, não foi o único a se manifestar. Ada Lluch, influenciadora pró-Trump na Espanha, argumentou:

"Som da Liberdade mostrou a garra necessária para salvar crianças. Andrew McCubbins foi peça-chave nessas missões. É absurdo que um caso da administração anterior ainda esteja ativo contra ele."

A contradição expõe a seletividade no discurso de combate à corrupção entre os apoiadores de Trump, que ora defendem investigações agressivas contra minorias, ora ignoram crimes financeiros quando envolvem aliados políticos.