Um juiz federal dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a tentativa de Donald Trump de cobrar US$ 10 bilhões do Internal Revenue Service (IRS, a Receita Federal americana), após o vazamento de dados fiscais confidenciais que revelaram que o ex-presidente pagou apenas US$ 750 em impostos federais em 2016 e 2017 — e nada em dez dos últimos 15 anos. Agora, Trump processa a Receita Federal por supostos danos à sua reputação e finanças, mas especialistas consideram o argumento fraco e temem que a estratégia possa se voltar contra ele, acelerando o colapso de sua imagem pública.

O vazamento que expôs as finanças de Trump

Em 2021, a ProPublica e o New York Times publicaram reportagens baseadas em dados fiscais vazados de milionários, incluindo Trump. As informações revelaram que, entre 2016 e 2017, o ex-presidente pagou menos impostos do que muitos cidadãos comuns — e que, em dez dos últimos 15 anos, não pagou nenhum imposto de renda. Em comparação, a maioria dos contribuintes paga valores significativamente maiores, mesmo sem possuir jatos particulares como Trump.

O vazamento ocorreu graças a Charles Edward Littlejohn, analista da Booz Allen Hamilton que trabalhava sob contrato com o IRS. Littlejohn foi descoberto, demitido e processado pelo Departamento de Justiça dos EUA sob o governo Biden. Em 2023, a juíza Ana Reyes o condenou a cinco anos de prisão — a pena máxima prevista pela lei — por violação da confidencialidade fiscal.

Trump processa o IRS por US$ 10 bilhões

Em janeiro de 2026, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou o término de todos os contratos da Booz Allen Hamilton com o IRS, totalizando US$ 21 milhões, devido à falha na proteção de dados de contribuintes. Três dias depois, Trump e seus filhos moveram uma ação judicial contra o IRS, exigindo US$ 10 bilhões em indenização por supostos danos à reputação e prejuízos financeiros causados pelo vazamento.

O argumento, no entanto, é considerado frágil pelos especialistas. "É risível alegar que a família Trump teria acumulado ainda mais dinheiro se os dados não tivessem vazado", afirmou um analista jurídico ouvido pela imprensa americana. Além disso, a ação surge em um momento em que Trump enfrenta múltiplas acusações criminais, incluindo fraude fiscal e obstrução da justiça, o que pode minar ainda mais sua credibilidade.

Corrupção sem precedentes: Trump no topo do ranking global

Este caso é mais um capítulo na série de escândalos que marcaram a administração Trump. Especialistas e historiadores classificam seu governo como um dos mais corruptos da história americana, comparando-o a regimes autoritários como o de Ferdinand Marcos, nas Filipinas, e Vladimir Putin, na Rússia. A lista de acusações inclui:

  • Enriquecimento pessoal com fundos públicos: Uso de propriedades governamentais para fins privados, como viagens e eventos.
  • Interferência em investigações: Tentativas de obstruir processos judiciais contra si e aliados.
  • Conflitos de interesse: Nomeação de familiares e aliados para cargos-chave, com acesso a informações privilegiadas.
  • Fraude fiscal: Evidências de sonegação sistemática, como a revelada pelo vazamento de dados.
  • Ataques à imprensa: Classificação de veículos de comunicação como "inimigos do povo" e perseguição a jornalistas.

"A corrupção de Trump não é apenas uma questão de ética, mas de segurança nacional. Quando um líder usa o poder para benefício próprio, a democracia se enfraquece e a confiança da população no sistema se esvai."
— Especialista em direito constitucional, Universidade de Harvard

O fim do ciclo de impunidade?

Apesar da gravidade das acusações, Trump sempre conseguiu escapar das consequências graças a uma combinação de lealdade política, estratégias jurídicas protelatórias e um eleitorado polarizado. No entanto, especialistas acreditam que este caso pode ser diferente. A ação contra o IRS, além de mal fundamentada, expõe Trump a um escrutínio ainda maior, justamente quando sua campanha presidencial de 2024 enfrenta inúmeros desafios legais.

"O timing não poderia ser pior para Trump", afirmou um analista político. "Enquanto ele tenta se reeleger, a Justiça está cada vez mais próxima de derrubar suas defesas. Se os tribunais rejeitarem suas alegações, a imagem de vítima que ele tenta construir pode ruir de vez."

O que esperar agora?

O processo contra o IRS ainda está em fase inicial, mas a suspensão temporária da cobrança de US$ 10 bilhões já sinaliza que os tribunais estão dispostos a analisar o caso com rigor. Além disso, a decisão de encerrar os contratos com a Booz Allen Hamilton reforça a ideia de que o governo americano está comprometido em responsabilizar quem violou a confidencialidade fiscal.

Para Trump, o risco é duplo: além de uma possível derrota judicial, o caso pode servir como combustível para que outros processos — como as acusações criminais — avancem mais rapidamente. Se a Justiça confirmar que suas finanças foram expostas por uma falha do governo, a narrativa de "perseguição política" perderá força.

Enquanto isso, a sociedade americana assiste a mais um episódio de uma trama que já dura décadas. Se a história servir de lição, este pode ser o momento em que a impunidade, finalmente, começa a encontrar limites.