Durante a faculdade de medicina, comecei a produzir conteúdo de saúde online. Percebi que poderia alcançar milhares de pessoas em segundos, compartilhando informações médicas precisas com estudantes e pacientes ao redor do mundo. Um exemplo foi um vídeo que fiz demonstrando a profundidade de uma injeção durante a vacinação. O público, muitas vezes fascinado e temeroso em relação a agulhas, se acalmava ao entender que a aplicação não atingia estruturas ósseas, facilitando a adesão à imunização.

No entanto, durante minha residência em medicina de emergência, tudo mudou. O que antes era visto como uma habilidade positiva durante meu processo seletivo passou a ser considerado um "risco" de repente. Recebi orientações de que continuar publicando nas redes sociais poderia comprometer minha carreira.

Essa repressão não é isolada. Médicos em todo o país estão sendo desencorajados ou até proibidos de compartilhar conhecimento científico online. As instituições alegam preocupações com a imagem institucional ou com possíveis processos judiciais, mas o resultado é uma crescente lacuna de informações confiáveis em um cenário já repleto de desinformação.

O impacto é direto: quando profissionais são silenciados, a população perde acesso a fontes autorizadas de saúde. Isso alimenta teorias conspiratórias, como a crença de que vacinas contêm microchips ou que tratamentos médicos são conspirações governamentais. A falta de contraponto científico nas redes deixa o campo aberto para boatos e falsidades.

Além disso, a censura mina a confiança na medicina. Pacientes que buscam respostas online acabam encontrando apenas conteúdos sensacionalistas ou desatualizados. A ausência de vozes médicas qualificadas nas plataformas digitais enfraquece a credibilidade da ciência e dificulta a promoção de hábitos saudáveis.

É urgente que hospitais e instituições revisem suas políticas. A transparência e o diálogo com a comunidade médica são essenciais para combater a desinformação. Profissionais de saúde devem ser incentivados a compartilhar conhecimento, não reprimidos. Afinal, em um mundo onde a internet é a principal fonte de informação para milhões, o silêncio dos médicos é uma vitória para os que espalham mentiras.