A política de preços de medicamentos do ex-presidente Donald Trump, conhecida como Most Favored Nation (MFN), continua a gerar repercussões internacionais. Segundo especialistas, o modelo — que equipara os preços dos medicamentos nos EUA aos praticados em outros países desenvolvidos — pode resultar na escassez de novos tratamentos no Japão.

Impacto imediato no acesso a medicamentos inovadores

O CEO da Novartis, Vas Narasimhan, alertou que a política representa um "cenário muito difícil" para a indústria farmacêutica e os pacientes. Em entrevista à CNBC, ele destacou que a empresa está pressionando governos europeus e japoneses a revisarem rapidamente seus sistemas de recompensa à inovação. Caso contrário, medicamentos recém-lançados podem sofrer atrasos ou até mesmo não chegar ao mercado nesses países.

O sistema MFN, implementado em 2020, determina que os preços nos EUA sejam calculados com base nos valores praticados em 19 nações, incluindo Japão, Coreia do Sul, Austrália e diversos países europeus. A medida afeta diretamente os programas Medicare e Medicaid, que atendem milhões de americanos.

Japão pode ser excluído de novos tratamentos

Segundo a Nikkei Asia, o Japão corre o risco de ficar de fora de lançamentos de medicamentos inovadores devido à política americana. A lógica é simples: se uma empresa farmacêutica não comercializar um produto no Japão, seus preços nos EUA não serão influenciados pelos valores japoneses. Isso cria um incentivo perverso para que as companhias evitem o mercado japonês, prejudicando pacientes locais.

Atualmente, os preços dos medicamentos no Japão são usados como referência para o cálculo dos valores nos EUA. No entanto, se uma empresa optar por não lançar um produto no país asiático, o preço americano não será afetado. Como consequência, pacientes japoneses podem enfrentar demoras ou até mesmo a falta de acesso a tratamentos recém-desenvolvidos.

Reações da indústria e perspectivas futuras

Narasimhan afirmou que a Novartis está em negociações com governos para evitar esse cenário. "Se não ajustarmos os sistemas de preços em outros países, os pacientes perderão acesso a medicamentos essenciais", declarou. A empresa, no entanto, não é a única preocupada. Outras gigantes do setor também avaliam estratégias para contornar os impactos da política americana.

A discussão ganha ainda mais relevância diante do atual contexto global, onde a inovação em saúde é crucial para enfrentar doenças crônicas e emergentes. A possibilidade de atrasos nos lançamentos de medicamentos no Japão — um dos maiores mercados farmacêuticos do mundo — levanta preocupações sobre o futuro do acesso à saúde em nível internacional.