Uma ação judicial recentemente apresentada contra a polícia de Phoenix, no Arizona, revela um caso polêmico envolvendo uma noiva recém-casada que foi presa por suspeita de dirigir alcoolizada, mesmo após apresentar resultados negativos em todos os testes. A vítima, Brianna Longoria, foi detida em dezembro de 2024, dias após seu casamento, quando seu pai doente pôde finalmente comparecer à cerimônia.

A prisão ocorreu após Longoria ser parada por supostamente ter passado um sinal vermelho. No entanto, imagens de câmeras corporais mostram que o semáforo estava verde no momento da abordagem. O policial que a deteve chegou a anular a multa após revisar as imagens. Mesmo assim, a prisão foi mantida.

Os registros judiciais indicam que Longoria registrou 0.000 no bafômetro e não apresentou sinais de embriaguez em testes de sobriedade. Um exame de sangue posterior também não detectou álcool ou drogas em seu organismo. Ainda assim, ela foi formalmente acusada de dirigir sob influência de álcool.

A ação alega que o policial responsável pela prisão teria fabricado evidências de embriaguez, como "olhos vidrados" e falhas em testes de sobriedade, para justificar a acusação. No entanto, outro policial, ao analisar os resultados no posto policial, teria dito que os dados estavam "totalmente dentro da normalidade".

O caso ganhou ainda mais repercussão quando uma gravação de áudio de câmera corporal revelou um diálogo entre policiais no qual um deles admitiu sentir pressão para realizar prisões por DUI. "Eles vão me tirar da equipe se eu não conseguir uma prisão por DUI", declarou uma oficial. Ao ser questionada sobre como proceder, a resposta de outro policial foi: "Você consegue. Você consegue."

A ação judicial argumenta que esse não é um caso isolado, mas sim parte de uma cultura na qual as prisões por DUI são monitoradas de perto, criando pressão para que os policiais atinjam metas, independentemente das evidências. A polícia de Phoenix negou a existência de um sistema de cotas e afirmou que o caso está sob revisão interna.

"Eles vão me tirar da equipe se eu não conseguir uma prisão por DUI. Não posso simplesmente inventar uma."

O caso levanta questões sobre a ética e a legalidade de prisões por DUI em situações onde não há evidências concretas de infração. Especialistas em direitos civis e segurança pública já haviam criticado práticas semelhantes em outros estados, como no Tennessee, onde e-mails internos revelaram pressões por prisões por DUI, mesmo sem provas suficientes.