Um cenário que parece saído de um pesadelo se tornou realidade para muitos proprietários de veículos nos últimos anos. Imagine carregar seu carro em um caminhão de transporte, agendar um encontro a centenas de quilômetros de distância para pegar o veículo e iniciar uma viagem tão esperada. Você viaja até o local combinado, mas o caminhão, o motorista e seu carro simplesmente desaparecem. As ligações para a transportadora não são atendidas, a polícia não sabe qual estado tem jurisdição sobre o caso, e seu veículo — um sonho de décadas — some para sempre.
Esse não é um roteiro de filme. Em outubro do ano passado, o lendário jogador de basquete Shaquille O’Neal foi vítima desse golpe, conhecido como roubo em trânsito. Os criminosos se passam por proprietários ou corretores para interceptar veículos durante o transporte e assumir a entrega ilegal. O motorista do caminhão, geralmente uma vítima inocente, acaba entregando as chaves sem saber do crime.
A Unidade de Investigação Especial (SIU) da Hagerty identificou um aumento alarmante nesse tipo de delito. Segundo dados da American Trucking Associations, o roubo de cargas — que inclui não apenas carros, mas também outros bens — cresceu mais de 1.000% nos últimos cinco anos, gerando prejuízos de cerca de US$ 18 milhões por dia para o setor de transporte.
A evolução do crime e suas táticas
O envolvimento de organizações criminosas no roubo de cargas não é novidade. Um dos casos mais famosos ocorreu em 1978, no aeroporto JFK, quando ladrões furtaram US$ 5 milhões em dinheiro e joias avaliadas hoje em quase US$ 30 milhões. O dinheiro nunca foi recuperado, apenas um suspeito foi preso, e o caso inspirou o filme Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese.
Dereck Tharp, investigador sênior da SIU da Hagerty, que atua na Califórnia, tem observado o crescimento exponencial do roubo em trânsito nos últimos cinco anos.
"Quando um grupo criminoso começa a aplicar esse método, outros rapidamente copiam o ‘playbook’. Em pouco tempo, uma única organização se transforma em várias, intensificando o problema."
Por que o setor de transporte de carros é alvo frequente?
Desde a pandemia, o setor de transporte de veículos tem sido especialmente atingido. O aumento das transações digitais e interestaduais desde 2020 criou um ambiente propício para criminosos. Eric Weiner, da Hagerty, destaca algumas medidas que proprietários podem adotar para se proteger:
- Verifique a transportadora: Pesquise a reputação da empresa, leia avaliações e verifique se ela possui seguro adequado.
- Exija documentação detalhada: Solicite contratos claros, com informações de contato atualizadas e rastreamento em tempo real do veículo.
- Evite pagamentos antecipados: Nunca faça pagamentos totais antes da entrega. Prefira métodos seguros, como cartão de crédito ou serviços de pagamento protegidos.
- Use transportadoras confiáveis: Empresas como a Reliable Carriers, que realiza verificações rigorosas de motoristas e segue cronogramas rígidos, oferecem maior segurança. Os membros do Hagerty Drivers Club ainda recebem 10% de desconto ao utilizar o serviço.
Para quem não é membro, é possível se cadastrar no site da Hagerty.
Outras notícias: NASCAR no Watkins Glen
No fim de semana passado, a NASCAR realizou uma emocionante corrida no circuito de Watkins Glen, um dos locais mais icônicos da categoria. O traçado de rua, conhecido por suas curvas desafiadoras, não decepcionou os fãs. Connor Zilisch, jovem promessa de 19 anos, protagonizou uma emocionante perseguição ao líder Jesse Love nas voltas finais da prova O’Reilly Auto Parts, demonstrando o talento que já havia sido destacado pela equipe em reportagens anteriores.