Aston Martin enfrenta crise histórica após queda de 90% em seu valor

A Aston Martin, tradicional fabricante britânica de carros de luxo, enfrenta uma crise sem precedentes desde sua estreia na bolsa de valores em 2018. Na ocasião, a empresa foi avaliada em cerca de £4,3 bilhões (US$5,8 bilhões). Hoje, seu valor de mercado despencou para aproximadamente £430 milhões (US$584 milhões), uma queda de 90%.

Oitavo pedido de socorro financeiro em oito anos

Na semana passada, a Aston Martin solicitou mais um aporte emergencial de £50 milhões (US$67,9 milhões), o oitavo desde sua abertura de capital. O dinheiro foi injetado por um consórcio de investidores liderado pelo bilionário canadense Lawrence Stroll, que já detém 31% da empresa. No entanto, os prejuízos da montadora continuam a crescer: em 2024, as perdas antes dos impostos saltaram 25%, atingindo £364 milhões (US$494 milhões).

Geely, dona da Lotus, surge como possível salvadora

Com a saúde financeira da Aston Martin em frangalhos, especula-se que a Geely, gigante chinesa do setor automotivo, possa intervir. A empresa já é acionista minoritária da Aston Martin, com cerca de 14% das ações, atrás apenas do fundo soberano da Arábia Saudita e do consórcio de Stroll. A Geely é dona majoritária da Lotus e já salvou a London Taxi Company em 2013, transformando-a na LEVC.

O fundador da Geely, Li Shufu, tem demonstrado interesse por marcas britânicas, mas os resultados sob sua gestão são mistos. Enquanto a Volvo prosperou, a Lotus anunciou recentemente o corte de mais de 500 empregos em sua sede em Hethel e registrou prejuízos de £195 milhões (US$264 milhões) no primeiro semestre de 2025.

Risco de transferência da produção para a China

Caso a Geely assuma o controle da Aston Martin, especialistas alertam para a possibilidade de realocação da produção para a China, onde os custos são significativamente menores. Um fornecedor da Aston Martin declarou ao The Telegraph:

"A China tem os menores custos do planeta, e o modelo de negócios clássico chinês é ir onde o dinheiro está. O medo é que eles mudem tudo para lá. Pode não ser o que queremos, mas, de certa forma, é a jogada inteligente."

Acionistas reduzem participações; futuro da Aston Martin em xeque

Os investidores parecem cada vez mais desconfiados. Enquanto a participação da Geely caiu de cerca de 17% para 14%, a da Mercedes-Benz foi reduzida de 20% para menos de 8%. Andy Palmer, ex-CEO da Aston Martin, defende abertamente a parceria com empresas chinesas:

"Eles estão, provavelmente, dez anos à nossa frente em termos de inovação e eficiência."

Com a Aston Martin perdendo dinheiro e seu valor de mercado em queda livre, a dúvida que paira é: quanto tempo Lawrence Stroll, principal acionista e investidor, manterá seu compromisso com a marca? A Geely pode ser a última esperança para evitar o colapso da tradicional fabricante britânica.