O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou nesta semana um feito considerado improvável: meses após alertar sobre um déficit orçamentário de US$ 12 bilhões, sua administração conseguiu não apenas equilibrar as contas da cidade, mas também aumentar os investimentos em áreas prioritárias.
Em um vídeo publicado na plataforma X, Mamdani afirmou:
‘Herdei um déficit de US$ 12 bilhões. Muitos diziam que a única saída era cortar serviços e aprovar um orçamento de austeridade. Nós rejeitamos essa ideia. Após meses de trabalho árduo, esse déficit agora é zero. Nossa cidade está em terreno financeiro sólido.’
O prefeito destacou que a redução do déficit não ocorreu às custas da população trabalhadora. Segundo ele, foi possível manter e até ampliar investimentos em parques, bibliotecas, segurança nas ruas e habitação pública. ‘Chamem de política de buracos nas ruas. Chamem de socialismo democrático. É um governo que entrega resultados para quem faz essa cidade funcionar.’
As declarações de Mamdani foram reforçadas pelo senador Bernie Sanders, também filiado ao socialismo democrático:
‘Parabéns ao prefeito Mamdani. Ele herdou um enorme déficit, reduziu a zero e ainda investiu em creches, habitação e infraestrutura urbana. Quando governos municipais apoiam famílias trabalhadoras, e não bilionários, não há limites para o que podem realizar.’
A estratégia de Mamdani para fechar o rombo de US$ 12 bilhões — equivalente a 10% do orçamento anual da cidade — em apenas três meses envolveu duas frentes principais, conforme explicou o próprio prefeito.
Tributação sobre os mais ricos e apoio estadual
Em fevereiro, logo após assumir o cargo, Mamdani já havia alertado sobre a necessidade de aumentar impostos sobre os mais abastados ou elevar os tributos imobiliários para todos os moradores. No entanto, a solução encontrada foi diferente.
A administração conseguiu o equilíbrio orçamentário com a implementação de um imposto sobre residências de luxo, proposto em parceria com a governadora Kathy Hochul. A taxa, chamada de ‘pied-à-terre tax’, incide sobre imóveis avaliados em pelo menos US$ 5 milhões que não são alugados ou declarados como residência principal.
Segundo a equipe de Hochul, a medida deve gerar pelo menos US$ 500 milhões anuais. No entanto, o escritório do contador-geral de Nova York (comptroller) fez um alerta: após a implementação, a arrecadação real poderia cair para cerca de US$ 340 milhões, devido a possíveis mudanças de comportamento dos proprietários.
Investimentos sociais mantidos
Além da arrecadação adicional, a cidade também contou com um aporte emergencial de US$ 3,7 bilhões do governo estadual de Nova York, conforme relatado por veículos de imprensa locais. Essa injeção de recursos foi fundamental para fechar o rombo sem cortes drásticos em serviços públicos.
O resultado, segundo analistas, demonstra que é possível equilibrar as contas públicas sem sacrificar programas sociais essenciais. Para críticos, no entanto, a estratégia pode não ser sustentável a longo prazo, dependendo excessivamente de recursos externos e de tributação sobre um grupo reduzido de contribuintes.