Senador Sanders confronta Kennedy por rejeitar teoria científica
Em uma audiência no Senado realizada na quarta-feira (13), o senador Bernie Sanders (I-Vt.) questionou diretamente o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. sobre sua rejeição à teoria dos germes, princípio científico estabelecido que relaciona micróbios patogênicos a doenças específicas.
Kennedy, conhecido ativista antivacina e disseminador de teorias conspiratórias, defendeu suas posições durante o debate. No entanto, o senador Bill Cassidy interveio para desmentir seus argumentos em tempo real, apresentando evidências científicas que reforçam a validade da teoria dos germes.
Audiência expõe visão controversa de Kennedy
A discussão ocorreu durante reunião da Comissão de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado, um espaço de alto nível onde Kennedy, sem formação em ciências ou medicina, expôs sua visão contrária a um dos pilares da biomedicina moderna.
Segundo registros, Kennedy já havia manifestado sua rejeição à teoria dos germes em seu livro O Verdadeiro Anthony Fauci, lançado em 2021. Nele, ele associa a teoria a uma suposta estratégia da indústria farmacêutica para promover medicamentos modernos. Em vez disso, Kennedy defende a teoria do terreno, ideia descartada pela ciência, que sugere que doenças surgem de desequilíbrios no corpo, causados por má nutrição e exposição a toxinas ambientais.
O ativista, no entanto, confundiu conceitos ao chamar sua teoria de "teoria miasmática", termo que se refere à crença antiga de que doenças são transmitidas por ar contaminado — ideia já superada pela teoria dos germes. A teoria do terreno, por sua vez, nunca teve aceitação científica significativa.
Impacto da discussão e reações
A audiência destacou a raridade de um debate público de alto nível sobre a rejeição de Kennedy a um princípio científico fundamental. Especialistas presentes reforçaram que a teoria dos germes é base para vacinas, antibióticos e tratamentos médicos modernos.
Kennedy, que já foi figura proeminente no movimento antivacina, tem sido alvo de críticas por disseminar informações sem embasamento científico. Sua presença no governo também gerou polêmica, especialmente entre profissionais de saúde que defendem políticas baseadas em evidências.
O confronto entre Sanders e Kennedy reforçou a importância do debate científico fundamentado em políticas públicas de saúde, especialmente em um momento de crescente desinformação sobre vacinas e doenças infecciosas.