Audiências no Senado americano costumam ser marcadas por debates acalorados, mas poucos momentos se destacaram tanto quanto o confronto entre a senadora democrata Elissa Slotkin (Michigan) e o secretário do Exército dos EUA, Pete Hegseth, nesta quinta-feira (30).

Slotkin não poupou críticas ao questionar se Hegseth cederia a uma eventual ordem do ex-presidente Donald Trump para que o Exército apreendesse cédulas ou máquinas de votação nas eleições de novembro. A parlamentar lembrou que Trump já afirmou lamentar não ter assinado uma ordem executiva nesse sentido em 2020, alegando que a eleição foi roubada.

Pressão por uma resposta direta

Slotkin foi direta: "Se o presidente, que lamenta não ter assinado aquela ordem executiva para o então secretário de Defesa em 2020, pedir que você apreenda cédulas ou máquinas de votação em estados durante as eleições de 2026, você vai se posicionar pela Constituição e dizer não, ou vai obedecer e fazer o que ele manda?"

Hegseth evitou a pergunta, classificando o questionamento como "mais uma hipótese forçada". Slotkin rebateu, afirmando que não se tratava de uma hipótese, mas de uma possibilidade real diante das declarações recentes de Trump.

"Não é hipótese. Recuso-me a aceitar isso — você sempre dá essa resposta", afirmou Slotkin. "Nós já fizemos essa dança antes, então chega! Seu chefe, o cara para quem você está se apresentando agora, disse este ano aos jornalistas que gostaria de ter assinado aquela ordem executiva para o seu antecessor. E o antecessor dele disse publicamente: 'Graças a Deus, não chegamos a implementar'. O que você vai fazer?"

"Você é quem está sentado aí. Não é hipótese. Diga ao povo americano: você vai enviar o Exército uniformizado para nossas seções eleitorais para recolher cédulas ou máquinas?"

Mais uma vez, Hegseth evitou responder de forma categórica. Em vez disso, acusou Slotkin de estar "performando para a TV a cabo".

Foi então que Slotkin soltou: "Cara, só responde logo!"

Hegseth continuou sem dar uma resposta clara, limitando-se a mencionar que tropas já foram enviadas a seções eleitorais em 2024 — mas Slotkin foi rápida em corrigi-lo: aquelas tropas haviam sido autorizadas pelos governadores estaduais, não pelo presidente Biden. Ela insistiu para que Hegseth se comprometesse a não enviar militares para as eleições de novembro.

"Nunca foi feito na nossa história", declarou Slotkin. "Por favor, defenda a Constituição. Não envie o Exército uniformizado para nossas seções eleitorais."

Fonte: The Wrap