Cinco dos maiores sindicatos dos Estados Unidos enviaram cartas e e-mails aos membros do Comitê Bancário do Senado, pedindo que rejeitem o projeto de lei de estrutura do mercado de criptomoedas, conhecido como The Clarity Act. A votação está prevista para esta quinta-feira (16).
Entre as entidades que se opõem ao texto estão a AFL-CIO, a União Internacional de Empregados de Serviços, a Federação Americana de Professores, a Associação Nacional de Educação e a Federação Americana de Empregados Estaduais, do Condado e Municipais. Segundo a CNBC, que teve acesso às correspondências, os sindicatos alertam que a legislação coloca em risco a estabilidade dos planos de aposentadoria dos trabalhadores, incluindo fundos públicos.
Em uma carta conjunta enviada a todos os senadores, os sindicatos afirmam que o projeto "coloca em risco a estabilidade dos planos de aposentadoria dos trabalhadores, incluindo fundos públicos, e introduz uma volatilidade significativa nas contas de poupança para a aposentadoria".
"Essa legislação convida a indústria de criptomoedas a assumir riscos excessivos, sabendo que, se essas apostas arriscadas não derem certo, serão os trabalhadores e aposentados — e não os bilionários do setor — que pagarão o preço."
A AFL-CIO, em um e-mail separado aos membros do Comitê Bancário, alertou que, "na ausência de regulação suficiente, a integração de criptomoedas e outros ativos digitais à economia real terá um efeito desestabilizador, beneficiando emissores e plataformas em detrimento dos trabalhadores".
Apesar de meses de negociações bipartidárias, ainda não está claro se algum democrata no comitê votará a favor do projeto. Vários legisladores afirmam que a proposta precisa de mais ajustes em questões éticas, conflitos de interesse e segurança.
Os sindicatos não são os únicos a se opor ao texto. A Associação Americana de Bancos (ABA) também criticou trechos atualizados do projeto, especialmente aqueles relacionados às stablecoins. Em uma carta enviada a executivos bancários em 10 de maio, o CEO da ABA, Rob Nichols, argumentou que uma provisão que proíbe empresas de criptomoedas de pagar rendimentos sobre stablecoins de pagamento representa uma ameaça aos depósitos bancários tradicionais. Segundo ele, a medida "incentivaria desnecessariamente a fuga de depósitos bancários".
Por outro lado, a indústria de criptomoedas apoia a linguagem revisada do projeto. A Coinbase, por exemplo, manifestou apoio à restrição.
Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, defendeu publicamente o projeto. Em uma publicação na plataforma X, ele afirmou que a legislação "liberaria a próxima onda de Capital Digital, Crédito Digital e Patrimônio Digital nos EUA e globalmente", classificando-a como um marco para "mercados de rendimento digital impulsionados por STRC" e um sinal de "validação institucional para o Bitcoin".
A indústria de criptomoedas considera o projeto como sua principal prioridade legislativa nesta sessão. No entanto, seu avanço no comitê — e posterior votação no Senado — depende agora da resolução das oposições apresentadas por sindicatos, bancos tradicionais e um bloco de democratas no Senado que ainda não se manifestaram a favor da proposta.