Um tiroteio interrompeu, na noite de sábado (11), o tradicional jantar dos correspondentes da Casa Branca, evento que reúne jornalistas, políticos e figuras públicas em Washington. Um homem armado invadiu o salão do DC Hilton, local da cerimônia, disparou tiros e forçou a evacuação imediata do ex-presidente Donald Trump e de outras autoridades presentes.
A confusão gerou instruções contraditórias: enquanto alguns repórteres foram orientados a permanecer no local, outros receberam ordens para deixar o hotel. Após a evacuação, muitos jornalistas se dirigiram à Casa Branca para cobrir a coletiva de imprensa do ex-presidente sobre o incidente.
O suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, foi detido. Segundo o Ministério da Justiça, ele parecia ter como alvo membros da administração Trump, embora ainda não esteja claro quem seriam as vítimas pretendidas. A emissora CBS informou que escritos com críticas a Trump foram encontrados relacionados ao suspeito.
O caos pós-tiroteio gerou boatos infundados, como a suposta morte do atirador, a hipótese de um falso alarme e especulações sobre a participação de Trump no evento. O ex-presidente aproveitou a coletiva para se autopromover, afirmando que enfrenta frequentes tentativas de assassinato por suas realizações na presidência e destacando seu salão de baile como símbolo de seu legado.
Antes do incidente, a transmissão ao vivo da cerimônia pela C-SPAN mostrava um tom descontraído, com o apresentador John McArdle perguntando aos convidados sobre seus trajes, em um clima que lembrava um tapete vermelho, não um evento que celebrava a liberdade de imprensa enquanto a administração Trump, na prática, enfraquecia instituições jornalísticas.
Alguns profissionais da mídia optaram por não comparecer ao jantar, enquanto outros planejavam protestos simbólicos, como o uso de roupas neutras. Paralelamente, festas paralelas foram realizadas, incluindo um evento promovido pela Substack e outro em apoio a Trump, organizado por David Ellison, que busca aproximação com a administração para viabilizar a fusão de sua empresa, a Paramount.
O tiroteio reforçou críticas à relação entre imprensa e poder nos EUA, marcada por bajulação, interesses políticos e, agora, pela violência. Nas redes sociais, teorias conspiratórias ganharam força, com acusações infundadas de que o ataque teria sido uma operação falsa para beneficiar algum grupo. O episódio, ocorrido em meio a trajes de gala, expôs a contradição de um evento que, em teoria, celebra a imprensa livre, mas que, na prática, muitas vezes serve a interesses políticos e midiáticos questionáveis.