O analista Matthew Sigel, da gestora VanEck, reacendeu o debate sobre o futuro do Bitcoin ao prever que a criptomoeda pode atingir a marca de US$ 1 milhão até 2031 — dentro do próximo mandato presidencial nos Estados Unidos. Essa projeção representa um aumento de 1.150% em relação ao valor atual, que supera US$ 80 mil.
Segundo dados da CryptoSlate, o Bitcoin negociava próximo a US$ 80.200 no dia 9 de maio, com uma capitalização de mercado de cerca de US$ 1,61 trilhão. O recorde histórico da moeda digital, de US$ 126.198, foi registrado em 6 de outubro de 2025.
Para alcançar US$ 200 mil, outro patamar frequentemente mencionado, o Bitcoin precisaria subir cerca de 2,5 vezes em relação ao valor atual. Já a meta de US$ 1 milhão exigiria um crescimento de aproximadamente 12,5 vezes.
Instituições apostam em longo prazo
A previsão da VanEck se alinha a outras projeções otimistas recentes. Em março, o CIO da Bitwise, Matt Hougan, apresentou um modelo que também aponta para um Bitcoin de sete dígitos, mas com um horizonte mais longo: 10 anos. Segundo ele, a criptomoeda poderia atingir US$ 1 milhão se capturar cerca de 17% de um mercado de reserva de valor avaliado em US$ 121 trilhões.
Ambas as visões, embora com prazos distintos, compartilham a mesma premissa: o Bitcoin não depende mais apenas de movimentos especulativos, mas sim de sua adoção como reserva de valor por instituições, governos e investidores mais jovens, que buscam alternativas ao sistema bancário tradicional.
VanEck amplia cenários para 2050
A gestora já havia publicado um estudo em 2024 que explorava um cenário ainda mais ambicioso: um Bitcoin valendo US$ 2,9 milhões até 2050, caso a moeda se tornasse um meio de troca significativo e ativo de reserva global. O relatório considerou fatores como liquidação de comércio, reservas soberanas e infraestrutura de escalabilidade da rede.
A nova previsão da VanEck, embora mais imediata, reforça a mesma tese: o valor do Bitcoin está cada vez mais ligado à sua adoção além do público nativo de criptomoedas.
Desafios e resistências no curto prazo
Apesar do otimismo, o mercado ainda enfrenta desafios. A capacidade de absorver a demanda institucional sem sofrer grandes volatilidades é um ponto de interrogação. Além disso, outras projeções, como a do analista Tom Lee, da Fundstrat, que prevê um Bitcoin entre US$ 200 mil e US$ 250 mil para 2026, também entram na discussão.
Embora o Bitcoin já tenha registrado movimentos percentuais maiores no passado, o atual ciclo depende de uma questão-chave: se a demanda institucional recente é forte o suficiente para absorver as moedas que poderiam ser vendidas em um eventual repique de preços.
"O valor do Bitcoin não está mais ancorado em um único catalisador de trading, mas sim na matemática de adoção, fluxos de ETFs, alocações em portfólios e comportamento de reservas soberanas."