Um estudo publicado recentemente na revista Nature Metabolism revelou que a frutose, um açúcar simples presente em alimentos ultraprocessados, pode desempenhar um papel-chave no desenvolvimento de doenças metabólicas, como obesidade, síndrome metabólica e esteatose hepática. A pesquisa destaca que os efeitos desse açúcar no organismo vão além do fornecimento de calorias, influenciando diretamente processos metabólicos.
A frutose é encontrada naturalmente em alimentos como mel e frutas, mas também está presente em adoçantes como o xarope de milho de alta frutose e a sacarose (açúcar de mesa). Nos últimos séculos, seu consumo aumentou significativamente devido à popularização de produtos industrializados. No entanto, diferentemente da glicose, a frutose é duas vezes mais doce, o que pode aumentar os desejos por alimentos e bebidas que a contenham.
Como a frutose afeta a saúde metabólica
Segundo especialistas, a frutose afeta o metabolismo de maneira distinta de outros carboidratos. Quando consumida em excesso, especialmente em bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, ela é metabolizada no fígado, onde pode ser convertida em gordura. Esse acúmulo de gordura no fígado e em outros órgãos contribui para condições como esteatose hepática e síndrome metabólica.
Michelle Routhenstein, nutricionista especializada em cardiologia preventiva e não envolvida no estudo, explica:
“A frutose encontrada em formas processadas não é metabolizada da mesma maneira que a glicose. Ao ser consumida, ela vai diretamente para o fígado, onde é facilmente convertida em gordura. Esse acúmulo pode afetar o fígado e os órgãos ao redor, contribuindo para doenças como esteatose hepática e síndrome metabólica.”
Impactos da frutose além da síndrome metabólica
O estudo também associa o consumo excessivo de frutose a outros problemas de saúde, incluindo:
- Doença hepática gordurosa associada a disfunção metabólica (MASLD);
- Hipertensão arterial;
- Doenças renais;
- Gota;
- Câncer, incluindo mama, pulmão, pâncreas e próstata.
Além disso, Routhenstein alerta que o excesso de frutose pode elevar os níveis de ácido úrico e aumentar o estresse oxidativo no organismo. Serena Poon, nutricionista especializada em longevidade, complementa:
“Há evidências de que o consumo crônico e concentrado de frutose pode afetar a regulação do apetite, a sinalização de saciedade e a função da barreira intestinal.”
Os pesquisadores destacam que, embora as calorias totais ainda sejam importantes, a forma como a frutose é consumida — seja em alimentos naturais ou ultraprocessados — faz diferença no impacto à saúde. Por isso, é fundamental considerar não apenas a quantidade, mas também a qualidade e o contexto da ingestão desse açúcar.