O Bitcoin (BTC) caiu para menos de US$ 80 mil nesta quarta-feira após um dado de inflação nos Estados Unidos superar as expectativas do mercado, gerando uma onda de vendas em criptomoedas e ações. A moeda digital recuou de uma mínima de US$ 81 mil para uma baixa de US$ 79.706, com o piso da sessão registrado em US$ 79.557.

Inflação nos EUA atinge maior nível desde 2022 e pressiona ativos de risco

O movimento ocorreu após a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de abril nos EUA. O indicador de demanda final subiu 1,4% em relação ao mês anterior, muito acima da projeção de 0,5% e do dado anterior de 0,7%. Na comparação anual, o PPI acelerou para 6,0%, superando a expectativa de 4,9% e o resultado anterior de 4,3%.

O núcleo do PPI, que exclui alimentos e energia, também surpreendeu: subiu 1,0% no mês (ante expectativa de 0,3%) e 5,2% em 12 meses (ante 4,0% anteriormente). Segundo dados da Trading Economics, a métrica mais restrita, que exclui ainda energia, alimentos e serviços de comércio, avançou 0,6% no mês e 4,4% no ano.

Esse resultado segue o relatório do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) divulgado na terça-feira, que mostrou aceleração da inflação ao consumidor para 4,8% em 12 meses, acima das expectativas de 4,5% e do dado anterior de 3,3%.

Impacto no mercado e na política monetária do Fed

O dado do PPI reforça a pressão inflacionária e reduz as chances de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) em breve. Além disso, a alta nos preços ao produtor alimenta a cadeia de custos e influencia diretamente o PCE (Índice de Despesas de Consumo Pessoal), principal indicador de inflação monitorado pelo banco central.

A reação nos mercados foi imediata. O SPY (ETF que replica o S&P 500) caiu de acima de US$ 740 para US$ 737, com mínima estendendo-se a US$ 735,48. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram: o de 30 anos atingiu 5,034%, enquanto o de 10 anos alcançou 4,471%. O Dólar Index (DXY) manteve-se próximo a 98,49, e o petróleo WTI negociava em torno de US$ 102,15.

Bitcoin enfrenta teste abaixo de US$ 80 mil

O principal desafio para o Bitcoin agora é recuperar o nível psicológico de US$ 80 mil. Se a moeda não conseguir retomar esse patamar rapidamente, o próximo suporte exposto é a mínima da sessão em US$ 79.557. Cada tentativa de recuperação abaixo desse nível será testada pela pressão vendedora.

Após a queda inicial pós-PPI, houve uma leve estabilização nos mercados. O Bitcoin subiu brevemente de US$ 79.557 para perto de US$ 79.700, enquanto o SPY recuperou-se da mínima de US$ 735,48. Os rendimentos dos títulos também recuaram levemente dos picos da sessão.

No entanto, a pressão macro permanece elevada devido à alta do petróleo e à força do dólar, mantendo os ativos em modo reativo. Para que o mercado se recupere de forma consistente, o Bitcoin precisa recuperar US$ 80 mil, o SPY estabilizar e os rendimentos dos títulos pararem de subir.

"O choque do PPI ainda é o principal motor do movimento atual. Enquanto essa sequência não ocorrer, a estrutura intraday do Bitcoin permanece quebrada e os riscos de novas quedas persistem."

Cenário futuro depende de dados econômicos e política do Fed

A trajetória do Bitcoin e dos mercados financeiros agora depende de dois fatores principais: a evolução dos dados de inflação e as decisões do Fed. Se os próximos indicadores continuarem mostrando pressão inflacionária, a expectativa de cortes de juros será adiada, mantendo a liquidez restrita e os ativos de risco sob pressão.

Investidores devem acompanhar de perto os próximos relatórios econômicos, especialmente o PCE e o CPI, além das comunicações do Fed sobre a política monetária. Até lá, a volatilidade deve permanecer elevada, com o Bitcoin e outros ativos sensíveis a riscos macroeconômicos.