A Coinbase registrou um prejuízo líquido de US$ 394 milhões no primeiro trimestre de 2026, com receita de US$ 1,4 bilhão. No mesmo período do ano anterior, a empresa havia registrado lucro de US$ 66 milhões, durante um momento de otimismo com políticas pró-criptomoedas do então presidente Donald Trump.

Brian Armstrong, CEO da Coinbase, vendeu mais de US$ 540 milhões em ações da empresa entre maio de 2025 e janeiro de 2026. O valor supera o prejuízo trimestral da empresa e foi acumulado por meio de 1,55 milhão de ações vendidas em datas específicas, conforme registros da SEC.

Vendas concentradas em períodos de alta da ação

As vendas de Armstrong se concentraram em junho e julho de 2025, quando a cotação da COIN superava US$ 350. Naquele período, o preço médio de venda das ações foi de US$ 349,58, quase o dobro do valor atual disponível para investidores pessoa física.

Os registros da SEC mostram que as vendas ocorreram em datas próximas ao recebimento de sua remuneração baseada em ações, com transações em maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O valor total das vendas foi de US$ 541.863.703.

Impacto no mercado e na reputação da empresa

A Coinbase também demitiu 700 funcionários no primeiro dia da conferência Consensus, em Miami, representando uma redução de 14% da força de trabalho. A ação da empresa fechou o dia com queda de 57% desde julho de 2025, quando atingiu US$ 444,64. Nas negociações após o horário, a queda chegou a 4% adicional.

Armstrong enfrentou críticas por vender ações enquanto a empresa enfrentava dificuldades financeiras e deixava usuários varejistas em situação desfavorável. As vendas foram registradas em nome do executivo e de seu truste, conforme exigido pela SEC.

"As vendas de Armstrong ocorreram em um momento de alta da ação, quando o preço estava acima de US$ 350. Quando o prejuízo trimestral foi anunciado, ele já havia encerrado suas vendas."

Contexto e reações

A queda na receita de transações líquidas da Coinbase foi de 40% em comparação com o primeiro trimestre de 2025, totalizando menos de US$ 756 milhões. A empresa também foi alvo de processos judiciais, como uma ação por reter criptomoedas congeladas relacionadas a um hack de US$ 55 milhões.

As vendas de ações por parte do CEO levantaram questionamentos sobre transparência e prioridades da gestão, especialmente em um cenário de instabilidade no mercado de criptomoedas.

Fonte: Protos