Nesta semana, fui alertado sobre a disseminação de desinformação envolvendo o hantavírus da mesma forma que tenho observado desde o início da pandemia: por meio de mensagens diretas de seguidores.

Em questão de horas após os primeiros títulos sobre um suposto surto de hantavírus ligado ao navio de expedição MV Hondius, minha caixa de entrada no X (antigo Twitter) começou a receber capturas de tela de publicações suspeitas. Uma delas era de uma médica do Texas, que ganhou notoriedade durante a Covid-19 por defender o uso de ivermectina. Em sua postagem, ela já afirmava que o medicamento também seria eficaz contra o hantavírus.

Esse episódio reforça um padrão recorrente na disseminação de desinformação sobre saúde pública. Durante a pandemia, muitos conteúdos falsos ou enganosos se espalharam rapidamente, muitas vezes com base em afirmações sem comprovação científica. Agora, com o hantavírus, o ciclo se repete.

Segundo especialistas, a velocidade com que essas informações circulam nas redes sociais dificulta o controle. Algoritmos de plataformas priorizam conteúdos com alto engajamento, o que pode amplificar boatos antes mesmo de eles serem verificados por fontes confiáveis.

Para combater esse problema, profissionais de saúde e comunicadores recomendam algumas medidas:

  • Verificar a fonte: Sempre confira se a informação vem de um órgão oficial, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) ou o Ministério da Saúde do Brasil.
  • Buscar múltiplas fontes: Não se baseie em apenas uma publicação. Consulte diferentes veículos de comunicação e especialistas antes de compartilhar.
  • Desconfiar de soluções milagrosas: Afirmações como "esse remédio cura tudo" geralmente são sinais de desinformação.
  • Reportar conteúdos suspeitos: Plataformas como X, Facebook e Instagram permitem que usuários denunciem publicações falsas ou enganosas.

O caso do hantavírus no MV Hondius ainda está sendo investigado pelas autoridades. Até o momento, não há evidências científicas que comprovem a eficácia da ivermectina contra a doença. A disseminação de informações não verificadas pode não apenas causar pânico, mas também colocar vidas em risco.

Em tempos de incerteza, a responsabilidade na hora de compartilhar informações é fundamental. Pensar antes de publicar pode fazer a diferença entre espalhar medo ou contribuir para uma sociedade mais informada e preparada.