O CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o deputado federal da Califórnia, Ro Khanna, participaram recentemente de um painel na Stanford Graduate School of Business para discutir temas críticos sobre inteligência artificial (IA), abrangendo inovação, competição, adoção e ceticismo.
Em meio ao receio generalizado de que a IA possa eliminar empregos, Huang reforçou sua visão de que a tecnologia trará mais benefícios do que malefícios ao mercado de trabalho. “Os relatos de que a IA destruirá empregos não ajudarão os Estados Unidos. Primeiro, porque é mentira.”
Ele citou como exemplo os engenheiros de software mais bem-sucedidos da Nvidia — empresa avaliada em US$ 5 trilhões, onde a IA já está integrada aos processos internos. Segundo Huang, esses profissionais estão mais ocupados do que nunca, graças à eficiência proporcionada pelas ferramentas de IA no desenvolvimento de código.
“Seus agentes de IA estão te assediando, te microgerenciando, e você está mais ocupado do que nunca. Mesmo assim, nossa empresa consegue fazer mais. Fazemos as coisas mais rápido, em maior escala e até imaginamos projetos que jamais considerávamos.”
IA como aliada, não como inimiga
Em vez de eliminar postos de trabalho, Huang enxerga na IA um potencial ilimitado para o futuro. “Com assistentes de IA, podemos explorar mais o espaço, realizar trabalhos de melhor qualidade, escalar processos e reduzir custos.” Ele ressaltou que, na prática, as tarefas são automatizadas, não os empregos.
O executivo ainda destacou o setor de tecnologia como um “dos maiores tesouros nacionais dos EUA”, gerando empregos em áreas como encanamento, construção, eletricidade e fabricação de ferramentas de precisão. “Os salários nessas áreas estão dobrando e até triplicando.”
Quem não usar IA será substituído
Huang fez um alerta contundente: “É improvável que a maioria das pessoas perca o emprego para a IA. O mais provável é que percam para alguém que saiba usar a IA.” Por isso, ele defende que a capacitação no uso da tecnologia deve ser universal.
Apesar do avanço da adoção da IA nos EUA, o ceticismo em relação à tecnologia vem crescendo, especialmente entre os jovens. Dados da Gallup revelam que o entusiasmo da Geração Z pela IA caiu 14 pontos percentuais este ano, chegando a apenas 22%. Além disso, quase um terço dos trabalhadores admitiu sabotar iniciativas de IA em suas empresas.
Um relatório recente também apontou que políticas de adoção de IA têm gerado tensões entre gestores e funcionários.
“Eles não confiam em nós”, declarou o deputado Khanna durante o painel. “Mesmo tendo inventado a IA, os EUA são o país com maior ceticismo em relação a ela. Por quê? Porque as pessoas não confiam nas elites, no Congresso, no presidente, nos líderes empresariais ou na mídia. Elas sentem que não fomos capazes de atendê-las. Por isso, temos a obrigação de garantir que a revolução da IA funcione para todos.”