A Charles Schwab, uma das maiores corretoras dos Estados Unidos, anunciou o lançamento de sua plataforma de negociação de bitcoin à vista para clientes varejistas. A iniciativa, chamada Schwab Crypto, marca a entrada direta da empresa no mercado de criptomoedas, permitindo que investidores comprem e vendam bitcoin dentro de seu ecossistema de corretagem.

A novidade foi revelada nesta terça-feira (18), com um grupo inicial de clientes elegíveis já tendo acesso ao serviço. Até então, a Schwab oferecia exposição indireta ao bitcoin por meio de ETFs, futuros e outros produtos financeiros. Agora, os investidores poderão negociar o ativo digital de forma direta, mantendo uma conta separada vinculada à sua corretagem tradicional.

O custódia e execução das operações serão gerenciados pela Charles Schwab Premier Bank e pela Paxos, respectivamente. Segundo informações da corretora, a taxa de negociação será de 0,75 ponto-base, e o serviço estará disponível em todos os estados dos EUA, exceto Nova York e Louisiana. Alguns clientes podem não ser elegíveis durante a fase inicial de implementação.

Expansão do mercado de criptomoedas entre instituições tradicionais

A iniciativa da Schwab se alinha a uma tendência crescente de instituições financeiras tradicionais que estão expandindo suas ofertas no mercado de criptomoedas. Com mais de US$ 11,77 trilhões em ativos de clientes e 39,1 milhões de contas ativas, a corretora tem potencial para alcançar um público vasto de investidores varejistas.

Nos últimos anos, grandes bancos e corretoras têm intensificado seus serviços relacionados a bitcoin e outras criptomoedas, impulsionados pela aprovação de ETFs de bitcoin à vista e pela crescente demanda de clientes institucionais e varejistas. Em 2025, a propriedade institucional de bitcoin por meio de ETFs cresceu 32%, com mais de 513 mil BTC em fundos negociados. Em abril de 2026, os ETFs de bitcoin à vista registraram entradas líquidas de aproximadamente US$ 2,44 bilhões, o maior valor mensal do ano.

Cada entrada líquida nesses fundos retira bitcoin do mercado aberto e o entrega a custodians, criando um suporte estrutural de preço, segundo analistas. Além disso, quase 60% dos maiores bancos dos EUA já oferecem ou planejam oferecer serviços relacionados a bitcoin, conforme pesquisa da River. Instituições como JPMorgan, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citi têm expandido suas operações com criptomoedas, seja por meio de custódia, negociação ou lançamento de novos produtos.

O Morgan Stanley, por exemplo, sinalizou ambições de operar como um banco crypto completo, enquanto o Goldman Sachs solicitou a criação de um ETF de renda premium com bitcoin. Já o Citi lançou uma iniciativa de custódia institucional, refletindo uma integração estrutural e orientada por conformidade, e não apenas uma estratégia de hedge.