A Hungria viveu um marco histórico em abril de 2025 quando, pela segunda vez em 37 anos, o país testemunhou uma mudança de sistema (rendszerváltás). A queda do regime iliberal de Viktor Orbán, após 14 anos no poder, foi tão surpreendente quanto os eventos que derrubaram o apartheid na África do Sul ou o comunismo na Europa.
O que muitos não percebem é a magnitude dessa transição. Enquanto alguns analistas, como Rod Dreher, atribuíram a derrota de Orbán a fatores econômicos, outros, como Ross Douthat, comemoraram a vitória como prova de que o conceito de ‘autoritarismo competitivo’ é uma contradição. No entanto, comparar a queda de Orbán a uma mera questão de economia é ignorar a complexidade do processo.
Os próprios apoiadores de Orbán reconhecem a dimensão histórica do momento. A fortaleza política que ele construiu parecia inabalável, mas desmoronou como as muralhas de Jericó. Essa transformação não foi obra do acaso, mas sim o resultado de um movimento social que resgatou as tradições liberais esquecidas da Hungria, aliado à liderança excepcional de Péter Magyar.
O papel decisivo de Péter Magyar
Péter Magyar não foi apenas um líder que chegou na hora certa; ele foi o arquiteto de um novo momento político. Até sua ascensão, a oposição húngara estava fragmentada, enfraquecida por um sistema eleitoral projetado para dividir e conquistar. Desde 2010, quando Orbán reformou a constituição, cada eleição resultava em uma supermaioria parlamentar para o Fidesz. Em 2025, no entanto, a situação se inverteu: o partido de Orbán tornou-se irrelevante.
A chave para a vitória foi a unificação da oposição. Até então, a divisão de votos entre múltiplos partidos permitia que o Fidesz mantivesse o controle. Magyar mudou esse cenário ao conquistar 30% dos votos nas eleições europeias de 2024, consolidando-se como a alternativa viável contra Orbán.
O ressurgimento do liberalismo húngaro
A vitória de Magyar não foi apenas uma mudança de governo, mas uma redescoberta da identidade liberal da Hungria. O movimento liderado por ele resgatou valores esquecidos, como a defesa da democracia, dos direitos humanos e do Estado de direito, que haviam sido suprimidos durante os anos de Orbán.
Esse renascimento não aconteceu por acaso. Foi necessário um líder carismático, uma sociedade cansada de autoritarismo e a capacidade de mobilizar as massas em torno de uma causa comum. O dia 15 de março de 2025, data que comemora a Revolução Húngara de 1848, tornou-se um símbolo dessa nova era, quando milhares se reuniram em Budapeste para celebrar a liberdade.
‘A queda de Orbán não foi apenas uma vitória eleitoral, mas o fim de uma era de opressão. A Hungria mostrou ao mundo que, mesmo nos regimes mais fechados, a esperança pode prevalecer.’ — Analista político húngaro.
O que vem pela frente?
Com Orbán fora do poder, a Hungria enfrenta o desafio de reconstruir suas instituições democráticas. O novo governo terá de lidar com as cicatrizes deixadas pelo autoritarismo, incluindo a polarização social e a desconfiança nas eleições. No entanto, o otimismo prevalece entre aqueles que acreditam que o país está no caminho certo para reintegrar a comunidade europeia como uma nação livre e democrática.
O exemplo húngaro serve como um alerta para outros países que enfrentam regimes autoritários. A história mostrou que, mesmo nas situações mais adversas, a união e a determinação podem derrubar ditaduras.