Bangladesh enfrenta crise de sarampo após cortes na ajuda humanitária

O Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), criado por Elon Musk, prometeu reduzir gastos públicos, mas seus cortes agressivos em programas de saúde global deixaram países vulneráveis. O Bangladesh é o exemplo mais recente dessa política desastrosa: o país registra um dos piores surtos de sarampo dos últimos anos, com mais de 100 crianças mortas e 900 casos confirmados desde março de 2025, segundo dados do The Guardian.

Falta de vacinas agrava a crise

Dois terços das vítimas têm menos de nove meses, idade em que as crianças normalmente recebem a primeira dose da vacina contra o sarampo. A escassez de imunizantes está diretamente ligada aos cortes no financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que reduziu drasticamente os recursos destinados à saúde pública no Bangladesh.

Em 2024, a USAID destinou US$ 371 milhões ao país, dos quais dezenas de milhões eram para programas de vacinação. Em 2025, esse valor caiu para US$ 288 milhões, e em 2026, a previsão é de apenas US$ 24 milhões — um recuo de 94%. Além disso, a agência já iniciou o processo de recuperação de US$ 1,2 milhão em fundos já prometidos ao Bangladesh.

“Estou particularmente preocupada com o programa de imunização. Se houver interrupção, todo o progresso alcançado será perdido.”
— Nurjahan Begum, assessora de saúde do governo interino do Bangladesh, em entrevista à France24 durante os cortes.

USAID era fundamental para a saúde infantil no Bangladesh

A USAID financiou o acesso a vacinas para 2,3 milhões de crianças bangladeshianas, não apenas contra o sarampo, mas também contra difteria, poliomielite e tétano. Com a redução drástica desses recursos, programas essenciais foram fechados, incluindo triagens de tuberculose e clínicas de saúde materna.

Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), 85% dos recursos da USAID foram cortados globalmente. Especialistas alertam que essa decisão pode resultar em centenas de milhares de mortes evitáveis em países pobres nos próximos anos.

Impacto global dos cortes da DOGE

Embora a DOGE tenha sido extinta, os efeitos de seus cortes seguem devastando sistemas de saúde em nações dependentes de ajuda internacional. O Bangladesh não é um caso isolado: outros países também enfrentam surtos de doenças preveníveis devido à falta de vacinas e medicamentos.

Enquanto governos e organizações internacionais tentam conter a crise, a população bangladeshiana paga o preço mais alto. A emergência sanitária atual é um reflexo direto das políticas de austeridade que priorizam cortes em vez de investimentos em saúde pública.

Fonte: Futurism