A energia — seja óleo para veículos ou eletricidade para data centers — tornou-se o maior gargalo do mundo. Por que isso importa? Ela agora é o principal fator que define a estabilidade global e o crescimento econômico.

Os impactos da guerra no Irã já se espalham pela inflação e pela geopolítica. Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial (IA) está gerando uma corrida global por eletricidade, para a qual as redes não estão preparadas.

O cenário atual

A energia é o recurso invisível até faltar ou encarecer. Hoje, enfrentamos uma combinação inédita de escassez e demanda acelerada — algo incomum em um setor que geralmente se move lentamente.

Os principais destaques

  • Preços do petróleo em alta: A guerra no Irã elevou os custos da gasolina, contribuindo para uma inflação de 3,8% em abril, segundo dados recentes. Os preços da energia subiram 18% em relação ao ano passado.
  • Risco para as redes elétricas: O órgão regulador dos EUA emitiu um alerta máximo sobre a pressão causada pela demanda crescente dos data centers de IA, que consomem quantidades massivas de eletricidade.

As conexões entre guerra e IA

À primeira vista, a guerra no Irã e a expansão da IA parecem não ter relação. Afinal, o petróleo é usado principalmente em transportes, enquanto os data centers dependem de eletricidade — que, nos EUA, não é diretamente afetada pelo conflito, graças ao gás natural doméstico.

No entanto, a energia é o elo comum. Seja no combustível dos carros ou na luz das casas, ela é o motor que move a economia — ou o obstáculo que a paralisa.

"Seja por falta de petróleo ou por sobrecarga nas redes elétricas, a lição é clara: quando a energia se torna indisponível, instável ou cara, as economias desaceleram, a ansiedade pública cresce e os governos têm pouco espaço para outras prioridades."

— Jason Bordoff, diretor-fundador do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia

Impactos econômicos e sociais

Mesmo sem um impacto direto da guerra nos preços da eletricidade nos EUA, os custos estão subindo — em parte devido ao consumo dos data centers. Isso pode agravar o descontentamento popular com os altos preços, tanto na bomba de combustível quanto na conta de luz.

Além disso, o medo de que a IA substitua empregos, somado ao encarecimento da energia, pode alimentar sentimentos populistas e desconfiança nas instituições.

— Bordoff: "Preços altos de energia e menos empregos tornam a vida mais difícil para as pessoas e podem reforçar a ideia de que os líderes não estão defendendo seus interesses."

O futuro da energia global

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers são responsáveis por uma fatia muito maior do crescimento do consumo de energia nos EUA do que no restante do mundo. Isso reforça que, daqui para frente, a economia global será definida por quem tem acesso à energia — e quem não tem.

Fonte: Axios