O governador da Flórida, Ron DeSantis, apresentou na segunda-feira (12) um novo projeto de mapa congressional estadual que visa aumentar em quatro o número de cadeiras ocupadas por republicanos na Câmara dos Representantes dos EUA. Segundo DeSantis, a iniciativa busca corrigir supostas distorções no censo de 2020, que teriam prejudicado a representação política do estado.
Em entrevista ao Fox News Digital, o governador afirmou:
"A Flórida foi prejudicada no censo de 2020, e nós lutamos por uma representação justa desde então. Nossa população cresceu significativamente, e passamos de uma maioria democrata para uma vantagem republicana de 1,5 milhão de eleitores. Desenhar mapas com base em raça, como ocorre atualmente, é inconstitucional e deve ser proibido."
O projeto, no entanto, não menciona que a equipe de DeSantis foi responsável pela elaboração dos atuais mapas congressionais em 2022, após o censo. Agora, a proposta precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa da Flórida e, posteriormente, sancionada pelo governador antes de entrar em vigor para as eleições de novembro.
Se aprovado, o novo mapa poderia transformar a vantagem republicana atual de 20-8 para 24-4 nas cadeiras congressionais. Os deputados democratas mais ameaçados pela mudança são Kathy Castor, Jared Moskowitz, Darren Soto e Debbie Wasserman Schultz.
No entanto, como alertou o analista político David Wasserman, do Cook Political Report, a redistribuição do distrito de Castor poderia afetar também os republicanos vizinhos na região de Tampa Bay, que passariam a ter novos eleitores democratas em suas áreas.
Especialistas apontam que DeSantis, assim como fez em 2022, tenta contornar a Constituição da Flórida, que proíbe a manipulação de distritos com o objetivo de favorecer ou prejudicar partidos ou candidatos. O governador estaria usando de privilégio executivo para tornar o processo opaco, dificultando ações judiciais e esgotando o tempo hábil para contestações.
O objetivo republicano é replicar esse modelo em outros estados, superando iniciativas de redistrituição em territórios controlados por democratas, como Califórnia e Virgínia. A estratégia busca minimizar o impacto negativo da imagem de Donald Trump e do Partido Republicano nas eleições de novembro. No entanto, a eliminação de quatro cadeiras democratas seguras para criar outras republicanas pode resultar em um efeito contrário, tornando a manobra politicamente insustentável.