Flúor na água não prejudica QI ou cognição, aponta estudo

Um estudo recente, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), não encontrou evidências de que o flúor adicionado à água potável cause danos ao desenvolvimento cerebral ou à função cognitiva em crianças e adultos mais velhos.

Resultados da pesquisa

A pesquisa, liderada pelo sociólogo Rob Warren, PhD, da Universidade de Minnesota, analisou dados de mais de 10 mil pessoas acompanhadas desde 1957 no Wisconsin Longitudinal Study. Os participantes foram submetidos a testes de QI aos 16 anos e a avaliações cognitivas aos 53, 64, 72 e 80 anos.

Segundo os autores, não houve diferença significativa em qualquer fase da vida entre aqueles que consumiram água fluoretada e os que não consumiram. "Não encontramos evidências de que a fluoretação comunitária da água esteja negativamente associada ao QI de adolescentes ou ao funcionamento cognitivo de adultos", afirmaram no estudo.

Contradição com estudos anteriores

Os resultados entram em conflito com pesquisas anteriores, como um estudo chinês de janeiro, que sugeriu uma possível ligação entre altos níveis de flúor e redução do QI em crianças. No entanto, os autores do novo estudo destacam que esses trabalhos foram realizados em regiões com concentrações de flúor muito superiores às permitidas nos Estados Unidos.

Benefícios do flúor para a saúde

Especialistas reforçam que o flúor na água potável continua sendo fundamental para prevenir cáries e problemas dentários, o que, por sua vez, impacta positivamente a saúde geral.

"Apesar da desinformação existente, as melhores evidências disponíveis indicam que a fluoretação comunitária da água não afeta o QI, a cognição ou outras medidas de desenvolvimento neurológico."

Scott Tomar, DMD, porta-voz da Associação Dental Americana e professor da Universidade de Illinois Chicago

"Os resultados confirmam pesquisas anteriores de que o uso adequado de flúor na água não tem efeitos definitivos sobre o QI. Isso reforça a importância de manter o flúor na água potável."

Danelle Fisher, MD, pediatra do Providence Saint John’s Health Center

Recomendações oficiais em debate

O estudo surge em um momento de discussão sobre a recomendação do flúor na água. Em abril, o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, anunciou que pediria à CDC a revisão da orientação de longa data que apoia a fluoretação da água. No entanto, a nova pesquisa reforça o posicionamento de órgãos como a Associação Dental Americana (ADA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), que defendem os benefícios do flúor para a saúde pública.

Como o estudo foi conduzido

A equipe de Warren utilizou dados históricos do Wisconsin Longitudinal Study, que não foi originalmente projetado para medir exposição ao flúor. Por isso, os pesquisadores estimaram a exposição com base em registros do início da fluoretação comunitária na região. Embora não tenham tido acesso a exames de urina ou sangue para medir níveis exatos de flúor, os resultados sugerem que a prática é segura em níveis regulamentados.