Acusações dos EUA contra a China

Os Estados Unidos preparam ações para combater o alegado roubo em escala industrial de propriedade intelectual de laboratórios americanos de inteligência artificial (IA) pela China, segundo reportagem do Financial Times publicada na quinta-feira (11).

Métodos de espionagem revelados

Desde o lançamento do DeepSeek, modelo chinês que a OpenAI alegou ter sido treinado com saídas de seus próprios sistemas, outras empresas de IA acusaram rivais globais de usar uma técnica chamada distillation para roubar propriedade intelectual.

Em janeiro, a Google denunciou que atores com motivações comerciais — não limitados à China — tentaram clonar seu chatbot Gemini. A estratégia envolveu promover o modelo mais de 100 mil vezes para treinar versões mais baratas e similares.

Em fevereiro, a Anthropic acusou empresas chinesas como DeepSeek, Moonshot e MiniMax de usar a mesma tática para gerar 16 milhões de interações com seu modelo Claude, por meio de cerca de 24 mil contas fraudulentas.

A OpenAI também confirmou que a maioria dos ataques detectados teve origem na China.

Reação chinesa e impacto global

A China negou as acusações e classificou as alegações como ‘calúnia’. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que as acusações são ‘infundadas e desprovidas de provas’.

Segundo um memorando revisado pelo Financial Times, Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, alertou que ‘entidades estrangeiras, principalmente baseadas na China, estão envolvidas em campanhas deliberadas e em escala industrial para extrair sistemas avançados de IA dos EUA’.

Riscos para a liderança dos EUA em IA

As autoridades americanas temem que esses ataques de distillation possam ajudar a China a acelerar seu desenvolvimento em IA, reduzindo a vantagem tecnológica dos EUA no setor. A preocupação é que a transferência massiva de propriedade intelectual possa enfraquecer a posição global dos laboratórios americanos.

Medidas previstas pelos EUA

  • Restrições a empresas chinesas suspeitas de envolvimento em espionagem industrial;
  • Investigações mais rigorosas sobre transferências de tecnologia;
  • Aperfeiçoamento de protocolos de segurança em laboratórios de IA;
  • Colaboração com aliados para conter o fluxo de propriedade intelectual para a China.

‘A China representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, especialmente em tecnologias críticas como a IA.’
— Trecho do memorando da Casa Branca

Perspectivas e próximos passos

Enquanto os EUA preparam suas ações, especialistas alertam que a disputa por IA entre as duas maiores potências econômicas do mundo deve intensificar-se. A China, por sua vez, nega qualquer envolvimento em práticas ilegais e promete retaliar diplomaticamente se as acusações persistirem.