Fuga em massa no DOJ: advogados deixam cargo por recusar perseguições políticas

Milhares de advogados e servidores experientes abandonaram o Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à presidência. A decisão, em muitos casos, foi motivada pela recusa em participar de processos políticos ou inconstitucionais ordenados pelo governo.

Stacey Young, ex-procuradora do DOJ com 18 anos de carreira, revelou ao MeidasTouch que muitos profissionais estão sendo demitidos ou forçados a sair por se oporem a práticas ilegais. "O que está acontecendo é que procuradores experientes estão renunciando porque se recusam a participar de perseguições vingativas, que são, por natureza, inconstitucionais", declarou Young. "Em alguns casos, quando eles dizem não, são demitidos ilegalmente. Além disso, a cultura criada por esses processos está levando outros a pedir demissão. As consequências são devastadoras: o DOJ está perdendo inúmeros advogados, o Estado de Direito está sendo erodido e a reputação da instituição está em frangalhos."

DOJ perde metade de sua força de trabalho em menos de dois anos

Antes da volta de Trump à Casa Branca, o DOJ contava com cerca de 10 mil advogados. Até setembro de 2025, esse número havia sido reduzido a aproximadamente 5,5 mil, segundo dados da Justice Connection, organização que monitora as saídas. As demissões incluem funcionários que pediram demissão, aceitaram pacotes de incentivo à saída ou foram demitidos.

A falta de pessoal está gerando um gargalo crítico em setores essenciais. No sistema de imigração, por exemplo, o acúmulo de processos superou 3,3 milhões de casos até fevereiro de 2026, de acordo com o Transactional Records Access Clearinghouse. Isso significa que milhões de pessoas aguardam indefinidamente por decisões que definirão seu futuro nos EUA ou a possibilidade de deportação.

Politização do DOJ afeta confiança na Justiça americana

A guinada radical do DOJ rumo à agenda MAGA tem gerado alertas na comunidade jurídica. Especialistas argumentam que a crescente politização da instituição está minando a confiança pública no sistema judiciário do país.

"A erosão do DOJ não é apenas uma questão de pessoal, mas de princípios fundamentais. Quando a Justiça passa a servir interesses políticos, o preço pago é a credibilidade de todo o sistema legal", afirmou um analista jurídico que preferiu não se identificar.

Impacto imediato: sistema de imigração paralisado e casos acumulados

A redução drástica de pessoal no DOJ também afeta diretamente a aplicação de leis e a resolução de processos. Com menos advogados para analisar pedidos de asilo, deportações e recursos, o sistema judicial enfrenta uma crise de eficiência.

  • Imigração: Mais de 3,3 milhões de casos aguardando julgamento.
  • Processos criminais: Atrasos significativos em investigações e julgamentos.
  • Direitos civis: Redução na capacidade de fiscalização e proteção de garantias fundamentais.

Enquanto o governo Trump avança com sua agenda, a saída em massa de profissionais do DOJ levanta questões sobre a sustentabilidade da instituição a longo prazo. A falta de expertise e a politização podem ter efeitos duradouros na Justiça americana.