Florestas americanas sob ataque: herbicidas tóxicos e exploração desenfreada

Desde que Donald Trump reassumiu a presidência em 2024, sua administração tem acelerado a degradação das florestas federais dos EUA. Entre as medidas adotadas estão a demissão de cerca de 10% dos funcionários do Serviço Florestal norte-americano, a intensificação do corte de árvores em terras públicas para lucro privado e a abertura de áreas protegidas para exploração de petróleo e gás.

Ainda mais alarmante é o uso crescente do herbicida Roundup — produzido pela Bayer e composto por glifosato — em florestas devastadas por incêndios e desmatamentos. Segundo reportagem da Mother Jones, o produto, já associado a casos de câncer em humanos, está sendo aplicado em larga escala sob o argumento de "liberação de coníferas", técnica que elimina vegetação rasteira para favorecer o crescimento de pinheiros jovens.

Por que optar por um veneno quando há alternativas?

Embora a remoção manual de plantas invasoras seja viável, o governo Trump prioriza o uso de glifosato por questões de custo. Segundo a publicação, o processo manual pode custar até três vezes mais do que a pulverização de herbicidas. Essa economia de recursos parece justificar a decisão, mesmo diante dos riscos à saúde e ao ecossistema.

Em fevereiro de 2024, Trump invocou a Lei de Produção de Defesa para aumentar a produção de glifosato e estender a imunidade legal aos fabricantes do produto. Os dados revelam um crescimento exponencial no uso do químico: em 2023, a Califórnia despejou 120 mil quilos de glifosato puro em suas florestas — cinco vezes mais do que há 20 anos.

Expansão da produção de glifosato e conivência com a Bayer

A administração Trump deu sinal verde para a construção de uma mina de fosfato em 1.800 acres de terras públicas em Idaho, insumo essencial para a fabricação do herbicida. Além disso, o procurador-geral adjunto Dean John Sauer interveio pessoalmente em uma decisão da Suprema Corte que poderia proteger a Bayer de processos judiciais relacionados aos danos causados pelo Roundup.

Enquanto isso, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) fechou laboratórios federais da Universidade da Califórnia em Berkeley, responsáveis por estudar os impactos do glifosato na saúde humana. Paralelamente, foram aprovadas cotas agressivas de corte de árvores em terras públicas, transformando as florestas em verdadeiras fazendas de madeira, sem considerar os danos ambientais a longo prazo.

"A administração Trump trata as florestas como um recurso descartável, priorizando lucros imediatos em detrimento da saúde pública e da biodiversidade."

Impactos no meio ambiente e na saúde

O glifosato não afeta apenas os seres humanos. Um relatório de risco ecológico do Serviço Florestal de 2011 já alertava para os danos à fauna e flora decorrentes do uso do químico. A técnica de "liberação de coníferas" pode dizimar espécies nativas, alterar ecossistemas e comprometer a resiliência das florestas frente a incêndios e mudanças climáticas.

Com a escalada do uso de herbicidas e a flexibilização de leis ambientais, especialistas temem que os EUA caminhem para um cenário de devastação florestal sem precedentes. Enquanto isso, a população segue exposta a riscos desconhecidos, com poucas vozes se levantando contra a política de "cortar custos a qualquer preço".

Fonte: Futurism