A Justiça dos Estados Unidos está exigindo que o Condado de Fulton, na Geórgia, entregue uma lista detalhada com dados pessoais de todos os trabalhadores e voluntários que atuaram nas eleições presidenciais de 2020. A solicitação, feita pelo Departamento de Justiça (DOJ), foi contestada pelo condado em um documento de 27 páginas apresentado na segunda-feira.
O pedido, emitido em 17 de abril, exige que o responsável pelos registros do condado compareça à Justiça Federal nesta terça-feira com uma relação completa da equipe eleitoral, incluindo nomes, endereços residenciais, e-mails e números de telefone de todos os envolvidos no processo eleitoral. Segundo advogados do condado, a medida pode abranger cerca de 3 mil funcionários, trabalhadores temporários e voluntários.
Contestação e alegações de motivação política
O Condado de Fulton classificou a solicitação como sem precedentes e politicamente motivada. Robb Pitts, presidente da Comissão do Condado, afirmou ao The Atlanta Journal-Constitution que o objetivo da medida é intimidar os trabalhadores e desencorajar a participação eleitoral.
“Vamos lutar contra isso com todos os recursos disponíveis”, declarou Pitts. A Justiça do condado argumenta que a divulgação dessas informações pessoais representa um risco à segurança dos envolvidos e uma violação de privacidade.
Contexto político e eleições de 2024
O pedido do DOJ ocorre em um cenário de alegações infundadas de fraude eleitoral, repetidamente desmentidas pela Justiça. Donald Trump, que continua a questionar a vitória de Joe Biden na Geórgia em 2020, tem usado o aparato federal para perseguir o condado. Em janeiro, agentes do FBI, acompanhados pela ex-candidata à presidência Tulsi Gabbard, realizaram uma busca em um escritório de eleições no condado.
Analistas políticos alertam que a medida pode ser um pretexto para interferência nas eleições de meio de mandato de novembro e até mesmo nas eleições presidenciais de 2024. Especialistas em direito eleitoral preveem longas batalhas judiciais nos próximos meses.