O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Mike Johnson, admitiu não ter conhecimento sobre as declarações de Donald Trump durante sua recente visita à China. Johnson, que ocupa um dos cargos mais influentes do Congresso, evitou responder perguntas de repórteres sobre o posicionamento do ex-presidente em relação à defesa de Taiwan.

Durante coletiva de imprensa na sexta-feira (13), um jornalista questionou Johnson sobre a postura de Trump em relação à segurança de Taiwan frente à pressão chinesa. "O presidente Trump deveria ter sido mais assertivo em relação a Taiwan durante sua visita à China?", perguntou o repórter.

Johnson respondeu: "Não vi — estive muito ocupado nos últimos dias, então não acompanhei o relatório detalhado sobre como foi essa discussão. Ouvi alguns comentários informais sobre o que ele disse. Ele acredita que tiveram uma reunião muito produtiva e discutiram questões importantes. Aguardo um encontro com ele para analisar os detalhes."

O presidente da Câmara reforçou que os EUA sempre defenderam a independência e segurança de Taiwan, destacando interesses estratégicos como a produção de chips semicondutores. No entanto, ele afirmou não poder se pronunciar com mais profundidade por não ter discutido o tema diretamente com Trump.

A postura de Johnson chamou atenção por sua falta de clareza em um tema de política externa crucial. Especialistas questionam por que um dos principais líderes do Congresso não se sente capacitado a comentar assuntos de Estado sem a aprovação da Casa Branca.

Enquanto isso, Trump, em entrevista a bordo do Air Force One, recusou-se a esclarecer se os EUA defenderiam Taiwan em caso de conflito. "Não vou dizer. Só eu sei a resposta", declarou. "O presidente Xi me perguntou se eu defenderia Taiwan, e eu respondi que não falaria sobre isso."

O ex-presidente também adiantou que tomaria uma decisão sobre a venda de armas para Taiwan "em um curto período". A China, por sua vez, reiterou que considera Taiwan parte inalienável de seu território e ameaçou consequências severas caso os EUA apoiem a independência da ilha.

A relação entre os EUA e Taiwan é regulamentada pelo Taiwan Relations Act, aprovado em 1979, que obriga Washington a resistir a qualquer ameaça à segurança taiwanesa. No entanto, a ambiguidade de Trump em relação à defesa da ilha gera incertezas sobre o compromisso americano.