Lançado em 1997, Mortal Kombat: Annihilation é lembrado, sobretudo, por um de seus momentos mais infames: a aparição de Sindel, rainha do Outworld, entre dois ninjas em posição de luta. Quando uma personagem abaixo exclama 'Mãe... você está viva', a câmera corta para um close da rainha, que responde com um grito dramático: 'Infelizmente, VOCÊ... vai MORRER!' com um gesto exagerado. Essa cena, que ocorre nos primeiros quatro minutos do filme, definiu por décadas a reputação de Annihilation como um passo atrás em relação ao primeiro longa, dirigido por Paul W. S. Anderson em 1995.

Mas, três décadas depois e com o aguardado Mortal Kombat II chegando aos cinemas, vale a pergunta: como uma rainha benevolente de um reino perfeito, agora corrompida pela magia de um conquistador pan-universal, anunciaria à filha que está viva e planeja invadir nosso mundo — com a ajuda de uma mulher de quatro braços e um centauro-dragão? A resposta é simples: com um tom tão exagerado quanto o da franquia que já nos deu Noob Saibot.

Um filme cheio de exageros e efeitos datados

Mortal Kombat: Annihilation é, sem dúvida, um filme gozado, com uma trama mal estruturada e efeitos especiais que, mesmo com um orçamento de US$ 30 milhões (superior aos US$ 20 milhões do primeiro filme), pareciam baratos em 1997. No entanto, ao compará-lo com as duas adaptações recentes da franquia — produzidas com respeito e qualidade técnica —, é possível enxergar um charme involuntário no longa de 1997.

Dirigido por John R. Leonetti e escrito por Brent V. Friedman e Bryce Zabel, Annihilation retoma exatamente de onde o primeiro filme parou: a vitória dos heróis do Reino da Terra — Liu Kang, Sonya Blade e Johnny Cage — sobre o feiticeiro Shang Tsung no torneio Mortal Kombat não significou nada. Shao Kahn (Brian Thompson), imperador do Outworld, ainda planeja invadir a Terra com a ajuda de seus generais: a rainha Sindel (Musetta Vander), Sheeva (Marjean Holden), Smoke (Ridley Tsui), Ermac (John Medlen) e Motaro (Deron McBee).

A troca de atores e a continuidade questionável

Embora a trama mantenha certa continuidade com o primeiro filme, as mudanças no elenco são evidentes. Robin Shou e Talisa Soto continuam como Liu Kang e Kitana, mas James Remar substitui Christopher Lambert no papel de Raiden, Sandra Hess assume o lugar de Bridget Wilson como Sonya, e Chris Conrad interpreta Johnny Cage — embora por apenas cinco minutos antes de Shao Kahn quebrar seu pescoço. Mais tarde, Red Williams entra no elenco como Jax, parceiro de Sonya, substituindo Gregory Williams, que havia feito uma participação breve no primeiro filme.

As mudanças no elenco não são o principal problema de Annihilation. O primeiro filme já apresentava os elementos que as pessoas amam ou odeiam nas produções posteriores de Anderson: atuações exageradas e uma trama mal construída. O segundo filme, no entanto, leva esses problemas a outro nível. Personagens como Sub-Zero, que sequer aparece no primeiro longa, são introduzidos de forma confusa, e a narrativa perde completamente o fio da meada.

'Annihilation é um lembrete de que, às vezes, o que parece um erro na época pode se tornar um clássico cult décadas depois. Seu humor involuntário e seus exageros são parte de seu charme.

Apesar de todas as críticas, Mortal Kombat: Annihilation não é um filme ruim — é apenas muito diferente do que se esperava. Em uma era em que os blockbusters são cada vez mais calculados, há algo libertador em assistir a um filme que não se leva a sério. Talvez, em 2024, possamos apreciar Annihilation não como um fracasso, mas como um marco do cinema trash que, com o tempo, conquistou seu espaço.