Dois oficiais de narcóticos do departamento de polícia de Miami-Dade processaram a produtora fundada por Matt Damon e Ben Affleck, acusando-a de difamação após o lançamento do filme "The Rip", da Netflix. A obra, inspirada em uma operação real de 2016, teria falseado a imagem dos policiais, apresentando-os como corruptos.

A ação judicial foi protocolada na terça-feira (13) em um tribunal federal da Flórida, nomeando como réus a Artists Equity — empresa de produção de Damon e Affleck — e a Falco Pictures, produtora parceira do projeto. Ambos os atores foram protagonistas e produtores do filme.

Os policiais Jason Smith e Jonathan Santana pedem indenização não especificada por difamação, implicação difamatória e sofrimento emocional intencional. Um porta-voz da Netflix, que não é alvo da ação, não se pronunciou imediatamente sobre o caso.

Operação real serviu de base para o filme

O longa-metragem foi divulgado como "inspirado em fatos reais", mas os oficiais alegam que a produção copiou detalhes da operação de 29 de junho de 2016, quando apreenderam quase US$ 22 milhões escondidos em baldes laranjas atrás de uma parede falsa em uma casa em Miami Lakes. Segundo os policiais, cenas do filme reproduziram elementos específicos do caso, mas os retrataram como criminosos.

Smith e Santana afirmam que pessoas próximas, colegas e até promotores os questionaram após assistirem ao trailer ou ao filme, perguntando sobre "qual personagem eles representavam" e "quantos baldes eles esconderam". A operação real, considerada a maior apreensão de dinheiro da história do departamento, resultou na descoberta de US$ 21.970.411 em baldes laranjas atrás de drywall. Santana atuou como detetive principal no caso, enquanto Smith supervisionou a operação.

Acusações de corrupção e cenas fabricadas

A ação judicial alega que "The Rip" incluiu enredos inventados envolvendo corrupção policial, esquemas de roubo, negócios com cartéis e assassinatos. Entre as cenas citadas estão policiais discutindo o roubo de dinheiro apreendido, mentiras para suspeitos, ocultação de provas de superiores e comunicação direta com membros de cartéis. O filme também teria retratado os oficiais envolvidos na apreensão como cúmplices de um assassinato de outro policial e do posterior homicídio de um agente da DEA.

Os policiais afirmam ter alertado os produtores antes e depois do lançamento do filme, enviando uma carta de cessar e desistir em dezembro de 2025, contestando o trailer e os materiais promocionais. Além disso, a ação menciona que um policial de Miami-Dade que atuou como consultor do filme entrou em contato com os oficiais em nome do diretor Joe Carnahan, oferecendo desculpas e oportunidades de consultoria em projetos futuros.

Artists Equity e o contexto da produção

Fundada em 2022 por Damon e Affleck com apoio financeiro da RedBird Capital, a Artists Equity tem Affleck como CEO e Damon como diretor criativo. O processo judicial coloca em xeque a representação de profissionais da segurança pública em produções cinematográficas e levanta discussões sobre os limites da liberdade criativa versus a proteção à imagem pessoal.

Fonte: The Wrap