Empresa de vigilância enfrenta reações após manifesto polêmico

A Palantir, contratada pelo governo dos EUA e por forças militares estrangeiras, como Israel e Reino Unido, para desenvolver plataformas de vigilância e inteligência, voltou a chamar a atenção após a divulgação de um resumo de 22 pontos de um manifesto de 320 páginas escrito por seu CEO, Alex Karp.

O documento, intitulado “The Technological Republic: Hard Power, Soft Belief, and the Future of the West”, foi lançado há 14 meses, mas só agora ganhou destaque após a empresa compartilhá-lo nas redes sociais. Especialistas e críticos reagiram com choque e repúdio às ideias apresentadas.

Visão autoritária e tecnocrática

O manifesto defende conceitos como:

  • Serviço militar obrigatório universal, com a justificativa de fortalecer a coesão nacional;
  • Abandono da “moralidade” em favor do “poder duro”, rejeitando a diplomacia e a diplomacia internacional;
  • Fim da inclusão social, classificando políticas de diversidade como “pluralismo vazio e superficial”; e
  • Governo por software e IA, com a crença de que a guerra e a segurança serão definidas por algoritmos.

Karp também afirmou em novembro que a Palantir é a “primeira empresa completamente anti-woke”, alinhando-se a discursos de extrema-direita que criticam políticas de igualdade e diversidade.

“O manifesto é um exemplo de technofascismo.” — Mark Coeckelbergh, filósofo belga de tecnologia

“Robôs assassinos movidos a IA estão chegando.” — Yanis Varoufakis, economista grego

Controvérsias históricas e atuais

A Palantir, fundada por Peter Thiel, é conhecida por fornecer tecnologias de vigilância para a Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), além de sistemas para drones de ataque autônomos usados em operações militares no Irã. A empresa também é acusada de facilitar deportações em massa e de violar direitos humanos.

Ex-funcionários denunciaram, em carta aberta, que a liderança da empresa abandonou seus ideais originais de combater discriminação e desinformação. Protestos recentes, como um “die-in” organizado por ativistas, reforçam a oposição à atuação da Palantir.

Reação do mercado e da sociedade

Analistas destacam que o manifesto reflete a visão de Karp, conhecido como “o CEO mais assustador do mundo”. O documento, descrito pela imprensa como “delírios de vilão de quadrinhos”, expõe uma agenda que prioriza o controle estatal e a militarização da sociedade em detrimento de valores democráticos.

Diante das polêmicas, a Palantir enfrenta crescente resistência, tanto de ativistas quanto de ex-colaboradores, que questionam seu papel na sociedade e seu impacto sobre os direitos humanos.

Fonte: Futurism