O Tinder anunciou no ano passado que passaria a exigir verificação de fotos para novos usuários nos Estados Unidos, utilizando uma tecnologia chamada Face Check. O sistema pedia que os usuários gravassem um vídeo selfie cujas coordenadas faciais seriam comparadas com as imagens do perfil. Embora isso representasse um avanço em relação à verificação opcional anterior, falhas graves foram identificadas.

O jornalista Christophe Haubursin, da Vox, publicou recentemente um vídeo no YouTube mostrando um padrão suspeito em diversos perfis do Tinder. Os oito primeiros fotos pertenciam a uma pessoa, enquanto a nona era uma versão artística de outra pessoa — como um rosto em uma pintura ou mural. Uma busca reversa de imagens revelou que as oito primeiras fotos eram de um indivíduo convencionalmente atraente, mas com identidade diferente daquela apresentada no perfil.

Haubursin suspeitou que o Face Check estaria considerando os perfis como 'verificados' mesmo quando apenas uma das fotos correspondia ao vídeo selfie, mesmo que as outras oito fossem de pessoas completamente diferentes. Ele testou a hipótese e confirmou: bastava uma única imagem, mesmo estilizada, para validar o perfil, independentemente das outras fotos.

Ao entrar em contato com alguns desses usuários, Haubursin descobriu que muitos eram, na verdade, golpistas de criptomoedas. Essa descoberta levanta sérias preocupações sobre a eficácia do sistema de verificação do Tinder.

Por que isso é perigoso?

O sistema atual do Tinder permite que perfis com múltiplas imagens inconsistentes sejam considerados 'verificados', o que pode induzir usuários a confiarem em pessoas que não são quem dizem ser. Isso representa um risco tanto para a segurança dos usuários quanto para a responsabilidade legal da plataforma.

Em casos como Estate of Bride v. YOLO Technologies, Inc. (9th Cir. 2024), tribunais têm questionado se a Seção 230 protege plataformas que prometem medidas de segurança que não são efetivamente implementadas. Se o Tinder não cumpre o que promete em relação à verificação de perfis, pode enfrentar consequências legais.

O que os usuários devem fazer?

Para evitar cair em golpes, os usuários do Tinder devem:

  • Analisar cuidadosamente os perfis: Desconfie de contas com muitas fotos inconsistentes ou que pareçam excessivamente editadas.
  • Verificar a consistência das imagens: Se as fotos não parecerem pertencer à mesma pessoa, o perfil pode ser falso.
  • Não confiar apenas no selo de 'verificado': O sistema atual do Tinder não garante que todas as imagens do perfil pertençam à mesma pessoa.
  • Reportar perfis suspeitos: Use as ferramentas de denúncia da plataforma para ajudar a identificar e remover contas fraudulentas.

Conclusão

A verificação facial do Tinder, embora seja um passo na direção certa, ainda apresenta falhas significativas. Os usuários devem permanecer vigilantes e não confiar cegamente em perfis 'verificados'. A plataforma, por sua vez, precisa revisar seus critérios para garantir maior segurança e transparência.

Fonte: Reason