O governo Trump solicitou ao Congresso um aumento recorde no orçamento militar dos Estados Unidos, mas o secretário de Defesa, Pete Hegseth, não conseguiu explicar de forma clara como os US$ 1,5 trilhão serão utilizados. Durante audiências de apropriações no Senado e na Câmara dos Representantes, Hegseth e outros altos oficiais do Pentágono não apresentaram justificativas concretas para o valor sem precedentes ou os novos riscos que o justificariam.
A falta de clareza ficou evidente em comunicado oficial divulgado após as audiências. Entre as declarações de Hegseth, destacam-se frases como:
"Este orçamento garantirá que os Estados Unidos mantenham a força militar mais poderosa e capaz do mundo, enquanto enfrentamos um ambiente de ameaças complexas em múltiplos teatros de operação."e
"Estamos ativando a máquina econômica americana, em todos os níveis da base industrial de defesa. Cada política e item orçamentário que solicitamos visa garantir que o departamento mantenha o foco absoluto no aumento da letalidade e da capacidade de sobrevivência de nossas forças, desde as linhas de frente até as fábricas."
O discurso de Hegseth soou como um amontoado de jargões corporativos e promessas de campanha, sem qualquer plano concreto para o uso dos recursos. Durante audiência na quarta-feira (14), o senador Mark Kelly (D-AZ), ex-piloto de caça da Marinha, criticou a ausência de especificações no orçamento. "Se você estivesse montando um orçamento, listaria os problemas que precisa resolver, as capacidades necessárias e os sistemas que deve comprar", afirmou Kelly. "O plano do Pentágono não faz nada disso."
Em vez de detalhar gastos, o documento prevê US$ 23 bilhões para "capacidades críticas necessárias ao combatente" e outros US$ 46 bilhões para um fundo de "infraestrutura de inteligência artificial soberana", que incluiria investimentos estratégicos em empresas privadas. No entanto, não há informações sobre quais empresas seriam beneficiadas ou como esses valores foram determinados. "Parece que esses números foram tirados do nada", declarou Kelly.
O valor de US$ 1,5 trilhão supera todos os orçamentos militares anteriores dos EUA, quando ajustado pela inflação. É maior do que os gastos durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria. Representa um aumento de 45% em relação ao orçamento atual, que já era 18% maior do que em 2024. Segundo a organização Taxpayers for Common Sense, a provável inclusão de um orçamento suplementar para financiar a guerra no Irã poderia fazer o gasto militar total americano dobrar em apenas dois anos — e o valor de US$ 1,5 trilhão não inclui os custos desse conflito.