O diretor Peter Jackson foi um dos primeiros cineastas a receber a Palma de Ouro Honorária do Festival de Cannes sem que nenhum de seus filmes tenha integrado a seleção oficial da competição. A homenagem, concedida na semana passada, surpreendeu o próprio Jackson, que participou de uma conversa pública sobre sua carreira no Teatro Debussy.

Durante o evento, Jackson admitiu que ficou chocado ao receber o prêmio, especialmente por celebrar os 25 anos do lançamento do primeiro filme de O Senhor dos Anéis, uma trilogia que nunca participou do festival, mas que teve trechos exibidos em 2001 para gerar expectativa em torno do projeto, então considerado arriscado pela New Line Cinema.

“As duas vezes que estive em Cannes foram momentos monumentais”, declarou Jackson, referindo-se tanto à exibição promocional de O Senhor dos Anéis quanto à participação de seu primeiro longa-metragem, Bad Taste (1987), no mercado do festival. Ao receber a Palma de Ouro Honorária, ele descreveu a experiência como profunda e comparou a chance de ganhar o prêmio à de ser premiado como dançarino de dança do ventre. “Eu simplesmente não faço filmes do tipo Palma de Ouro”, afirmou. “Gosto da ideia de receber uma Palma de Ouro sem precisar fazer um filme.”

A Palma de Ouro competitiva é concedida ao melhor filme da competição oficial, enquanto a versão honorária reconhece a trajetória de um cineasta. Nos últimos anos, o prêmio foi dado a nomes como Marco Bellocchio, George Lucas, Studio Ghibli, Jodie Foster, Forest Whitaker, Tom Cruise, Michael Douglas, Harrison Ford, Meryl Streep, Robert De Niro e Denzel Washington. Neste ano, Barbra Streisand também será homenageada na cerimônia de encerramento, em 23 de maio.

Jackson ainda brincou com a formalidade do festival, revelando que pensou em quebrar o protocolo: “Tive muita vontade de ir de smoking e shorts, mas não tive coragem”. Durante o encontro, intitulado “Encontro com Peter Jackson”, foram exibidos diversos trechos de sua filmografia, incluindo Criaturas Celestiais (1994), que lançou a carreira de Kate Winslet e teve Jackson interpretando um mendigo em uma cena ao lado da atriz.

“Eu dei o primeiro beijo na tela para a Kate Winslet”, brincou o diretor, sugerindo que ele pode ter estabelecido um padrão elevado para os futuros trabalhos da atriz.

Ao discutir sua trajetória, Jackson relembrou a importância da exibição não oficial de trechos de O Senhor dos Anéis em Cannes, que ajudou a mudar a percepção do público sobre o projeto. Ele também comentou sobre o futuro da franquia, sugerindo que Andy Serkis seria a escolha ideal para dirigir A Caçada de Gollum, novo filme do universo. “Andy conhece o Gollum melhor do que ninguém”, afirmou. “A versão mais empolgante desse filme seria se ele o dirigisse.”

Fonte: The Wrap