Crise sem precedentes ameaça a agricultura nos EUA
Produtores rurais em todo o Meio-Oeste americano iniciam a temporada de plantio sob pressão financeira crescente. A escalada dos preços de diesel e fertilizantes, impulsionada pelo conflito no Irã, aprofunda uma crise agrícola que especialistas classificam como a pior desde os anos 1980.
Impacto econômico e social
O cenário atual é descrito por Mark Mueller, agricultor de Iowa e presidente da Iowa Corn Growers Association, como mais desafiador do que qualquer outro desde a crise agrícola da década de 1980 — quando taxas de juros dispararam e as exportações despencaram, levando à falência de bancos rurais.
"Vai haver menos agricultores no próximo ano do que há este ano", alerta Mueller. A situação já se reflete em números: o número de falências entre produtores cresceu, enquanto instituições financeiras restringem o acesso a empréstimos operacionais.
Fatores que agravam a crise
- Preços recordes de energia: O conflito no Irã levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo, elevando os custos de diesel.
- Fertilizantes escassos e caros: Bloqueios no Estreito de Ormuz interromperam o fornecimento global de insumos agrícolas.
- Mercados de exportação enfraquecidos: Tarifas impostas pelos EUA e restrições chinesas reduziram a demanda por produtos agrícolas americanos.
- Seca e mudanças climáticas: Fenômenos extremos prejudicam colheitas e aumentam os custos de produção.
Casos regionais revelam a gravidade
Em Arkansas, a alta nos preços de energia e fertilizantes pressiona produtores já afetados pela queda nos preços das safras. No Ohio, o agricultor Michael Kilpatrick relata que suas despesas com combustível subiram de US$ 400 para US$ 700, enquanto os custos de contêineres aumentaram 30%.
Em Iowa, os preços da soja caíram de US$ 13–15 para cerca de US$ 10 por bushel devido à redução das exportações para a China. Em Minnesota, a linha de apoio psicológico para agricultores registrou 314 chamadas em 2025 — o maior número em cinco anos.
Consequências para os consumidores
A crise também afeta diretamente os preços dos alimentos. O rebanho bovino nos EUA está no menor nível em décadas, segundo o USDA, o que elevou o preço da carne moída para cerca de US$ 6,90 por libra em abril — 19% mais caro do que no ano anterior.
"O que torna este momento especialmente difícil é que os agricultores não podem se adaptar rapidamente. Eles têm ferramentas, mas nenhuma é uma solução rápida", explica Wendong Zhang, economista agrícola da Cornell University e membro da American Society of Farm Managers.
Perspectivas para 2025
Segundo a American Farm Bureau Federation, 70% dos agricultores não conseguem arcar com os preços atuais dos fertilizantes. O diesel, que custava US$ 3,54 por galão há um ano, chegou a US$ 5,67 em maio de 2025 — alta de 60%.
Para famílias de baixa renda, o impacto é ainda maior. "Eles estão duplamente expostos", destaca Zhang.