Inflação nos EUA atinge maior nível em três anos devido à guerra no Irã
A inflação nos Estados Unidos disparou para 3,8% em abril de 2025, o maior aumento desde 2022, segundo dados do Departamento do Trabalho. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu em relação aos 3,3% registrados em março, refletindo o impacto da guerra de dez semanas entre os EUA e o Irã, que provocou uma alta acentuada nos preços de combustíveis e alimentos.
Gasolina e alimentos lideram alta nos preços
No mês passado, os preços da gasolina subiram 5,4% em relação a março, enquanto o valor médio do galão de gasolina regular superou US$ 4,50 — um aumento de 44% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a AAA, o custo do combustível já acumula alta de mais de 28% em 12 meses. Além disso, os preços dos alimentos subiram 0,7% no período, com destaque para o aumento nos custos de carnes, que haviam recuado levemente no mês anterior.
Inflação afeta poder de compra e eleições nos EUA
A escalada dos preços ocorre em um momento de crescente insatisfação da população com o custo de vida. A inflação, que já vinha caindo desde seu pico de 9,1% em junho de 2022, voltou a acelerar devido a fatores como gargalos logísticos pós-pandemia e a invasão russa da Ucrânia. No entanto, o conflito recente entre EUA, Israel e Irã agravou a situação, com o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do petróleo mundial — elevando ainda mais os preços de energia.
A alta dos preços tem reduzido o poder de compra dos americanos. Em abril, os salários horários médios, após ajustados pela inflação, caíram 0,3% em relação ao ano anterior — o primeiro recuo em três anos. Especialistas alertam que a inflação está consumindo todos os ganhos salariais, forçando famílias de classe média e baixa a reduzir gastos e priorizar despesas essenciais.
“A inflação é hoje o maior entrave para a economia americana. Há uma verdadeira pressão financeira em curso. Pela primeira vez em três anos, a inflação está devorando todos os ganhos salariais. Isso representa um retrocesso para as famílias de classe média e baixa, que já sentem o impacto e precisam cortar gastos.”
Fed adia cortes de juros e aguarda desdobramentos do conflito
A inflação, que permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve, levou o banco central a adiar a previsão de cortes na taxa de juros para 2026. A instituição aguarda para avaliar se a alta nos preços de energia se espalhará para outros setores, desencadeando uma inflação mais generalizada. O presidente Donald Trump também criticou a atuação do Fed e seu então presidente, Jerome Powell, pela demora em conter a inflação.
A situação econômica deve ser um tema central nas eleições de novembro, quando os americanos decidirão se o Partido Republicano de Trump manterá o controle do Senado e da Câmara dos Representantes. A acessibilidade financeira e o controle da inflação serão pontos-chave na campanha.