Após a decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou parte da Lei de Direitos de Voto na quarta-feira (26), estados republicanos no Sul estão acelerando o redesenho de seus distritos congressionais para diminuir a influência política de residentes negros. A corte, por 6 votos a 3, anulou o mapa eleitoral da Louisiana, eliminando o único distrito congressional democrata e de maioria negra do estado.
No dia seguinte à decisão, o governador republicano da Louisiana, Jeff Landry, e a procuradora-geral Liz Murrill anunciaram a suspensão das eleições primárias de 16 de maio para implementar um novo mapa. "O estado está impedido de realizar eleições congressionais sob o atual mapa", afirmaram em comunicado conjunto. "Trabalharemos com a Legislatura e a Secretaria de Estado para definir um novo caminho."
Enquanto isso, a Flórida, também governada por republicanos, aprovou um novo mapa congressional redesenhado pelo governador Ron DeSantis, visando garantir quatro assentos adicionais no Congresso para o partido. O governador do Mississippi, Tate Reeves, convocou uma sessão extraordinária da legislatura estadual para redistritamento, comemorando a decisão em postagem no X (antigo Twitter). "Primeiro Dobbs. Agora Callais", escreveu Reeves, referindo-se a decisões judiciais anteriores. "Só Mississippi e Louisiana salvando nosso país!".
No Alabama, o procurador-geral republicano Steve Marshall afirmou que o estado agirá "o mais rápido possível" para aplicar a decisão ao redesenho de distritos, mirando os dois distritos congressionais democratas e de maioria negra do estado. A senadora Marsha Blackburn, candidata ao governo do Tennessee, publicou um mapa proposto para o estado, totalmente pintado de vermelho e eliminando o único distrito democrata e de maioria negra do Tennessee.
Na Carolina do Sul, legisladores republicanos discutem abertamente a possibilidade de redesenhar seus distritos, comemorando a decisão da Suprema Corte. "Fiquei feliz em ver isso. Defendo que as pessoas sejam tratadas igualmente, não com base na cor da pele ou teor de melanina", declarou o deputado estadual Jordan Pace à emissora WLTX. "As pessoas não votam com base na cor da pele, essa é minha posição."
Os novos mapas, redesenhados às pressas, enfrentarão desafios judiciais, mas a Suprema Corte estabeleceu um novo precedente ao derrubar a Lei de Direitos de Voto, em vigor há 60 anos. Com as eleições de meio de mandato a menos de seis meses, os tribunais tendem a evitar decisões que afetem leis eleitorais. Se os novos mapas estiverem em vigor até novembro, Donald Trump e o GOP podem evitar a perda da Câmara dos Representantes.