A revista Nature anunciou a retratação de um estudo que sugeria que o ChatGPT melhorava o desempenho, a percepção e o pensamento crítico de estudantes. O artigo, intitulado "The effect of ChatGPT on students’ learning performance, learning perception, and higher-order thinking: insights from a meta-analysis", foi publicado em maio de 2025 por pesquisadores da Hangzhou Normal University, na China.
A meta-análise combinava dados de 51 estudos publicados entre novembro de 2022 e fevereiro de 2025, alegando que o uso do ChatGPT tinha um impacto positivo significativo no aprendizado. No entanto, a Nature informou que a retratação ocorreu devido a "desvios na meta-análise" que comprometeram a validade dos resultados.
"O editor decidiu retratar este artigo devido a preocupações com discrepâncias na meta-análise. Esses problemas minam a confiança na validade da análise e das conclusões resultantes", declarou a revista em nota. Os autores não responderam aos questionamentos sobre a retratação.
O estudo ganhou rápida atenção nas redes sociais, especialmente no LinkedIn, após sua publicação. Em menos de um mês, foi acessado quase 400 mil vezes e teve um Altmetric de 365, impulsionado por compartilhamentos de figuras influentes que defendiam o uso de IA na educação.
Segundo Ben Williamson, professor sênior em educação digital da Universidade de Edimburgo, o artigo foi amplamente disseminado como uma das primeiras evidências concretas dos benefícios do ChatGPT no aprendizado. No entanto, especialistas já haviam alertado sobre problemas metodológicos.
Um estudo de 2025 publicado no European Journal of Education Policy and Practice destacou que a abordagem usada por Wang e Fan é frequentemente falha. O artigo, intitulado "What counts as evidence in AI ED: Towards Science-for-Policy 3.0", escrito por Ilkka Tuomi, argumenta que meta-análises que incluem estudos de qualidade variável não devem ser usadas para fundamentar políticas educacionais.
"Embora pareça metodologicamente rigoroso, a heterogeneidade dos estudos analisados torna os resultados quantitativos da meta-análise de Wang e Fan sem sentido", afirmou Tuomi, referindo-se a problemas semelhantes em outros estudos virais sobre o tema.