O governo dos Estados Unidos estuda a possibilidade de restringir o acesso a antidepressivos amplamente prescritos, como Zoloft, Prozac e Lexapro, medicamentos da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). A discussão foi levantada durante reuniões internas do Departamento de Saúde (HHS), conforme relatado pela Reuters na última sexta-feira (13).
Segundo fontes ouvidas pela agência, ainda não há definição sobre quais fármacos poderiam ser alvo das restrições. No entanto, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., tem sido um crítico contundente do uso de medicamentos psiquiátricos, atribuindo a crise de saúde mental nos EUA à "dependência gerada pela supermedicalização".
Posição oficial do governo
Em resposta às especulações, o porta-voz do HHS, Andrew Nixon, negou que haja qualquer intenção de banir os ISRS. Em comunicado, ele afirmou que "não houve discussões sobre proibir esses medicamentos e quaisquer alegações em contrário são falsas".
Críticas e polêmicas
Kennedy, que há anos dissemina informações falsas sobre os antidepressivos — chegando a relacioná-los a massacres escolares —, anunciou novas políticas para reduzir a prescrição desses fármacos. No entanto, ele esclareceu que pacientes atualmente em tratamento não devem interromper o uso sem orientação médica.
Segundo dados do CDC, entre 2005 e 2008, cerca de 11% das pessoas acima de 12 anos nos EUA faziam uso de estabilizadores de humor. Já um estudo de 2026 publicado no BMJ Mental Health revelou que, atualmente, um em cada seis adultos americanos toma antidepressivos — um aumento significativo nas últimas décadas.
Riscos da restrição
A Associação Americana de Psiquiatria classifica os ISRS como tratamento de primeira linha para depressão, com eficácia comprovada. O psiquiatra Dr. J. John Mann, do New York State Psychiatric Institute, afirmou à Reuters que "há muitas prescrições porque há muitos pacientes com doenças que respondem a esses medicamentos, incluindo depressão e transtornos de ansiedade".
Para Mann, restringir o acesso a esses fármacos "não é justificável do ponto de vista médico". A medida, caso seja implementada, poderia agravar a crise de saúde mental no país, afetando milhões de pessoas que dependem desses tratamentos.
"A decisão de restringir antidepressivos sem base científica coloca em risco a vida de pacientes que já enfrentam dificuldades para acessar cuidados adequados."