Ryan Reynolds surpreendeu os fãs ao anunciar que Deadpool, o Merc com a Boca, deixará de ser o personagem central em seus próximos projetos. Durante participação no programa Today Show, o ator revelou que está desenvolvendo novas histórias para Wade Wilson, mas em um papel diferente.

“Tenho algumas ideias escritas, mas não vou centralizá-lo novamente. Acredito que ele é um personagem de apoio, alguém que funciona melhor em grupo”, declarou Reynolds.

Essa mudança pode agradar aos espectadores que não se identificam totalmente com o estilo irreverente e as quebras da quarta parede de Deadpool. Embora os três filmes lançados até agora tenham sido sucessos de bilheteria e o personagem lidere suas próprias histórias em quadrinhos desde 1993, seu humor ácido e referências constantes não agradam a todos.

Por que a mudança?

O anúncio ocorre após o lançamento de Deadpool Wolverine, que encerrou uma fase específica do personagem no universo da 20th Century Fox. O filme revisitou a história dos heróis Marvel da Fox e os isolou em uma realidade própria, longe do Universo Cinematográfico Marvel (UCM). Com os eventos de Avengers: Doomsday e Avengers: Secret Wars aparentemente destruindo essa realidade e integrando novos X-Men ao UCM, Deadpool precisará se adaptar a um novo contexto.

Evolução do personagem

Criado em 1991 por Fabian Nicieza e Rob Liefeld, Deadpool nasceu como uma homenagem óbvia ao vilão Deathstroke, da DC Comics. Durante anos, o personagem permaneceu nesse modelo até que, em 1997, a história escrita por Joe Kelly e desenhada por Pete Woods mudou sua trajetória. Em Deadpool #28, o anti-herói quebrou a quarta parede ao confrontar o vilão Bullseye, estabelecendo sua consciência meta.

Escritores como Christopher Priest e Gail Simone expandiram ainda mais essa característica, diferenciando Deadpool de Slade Wilson. Essa abordagem inovadora foi fundamental para o sucesso do personagem no cinema. Nos quadrinhos, entretanto, Deadpool também demonstrou seu potencial como parte de um grupo. Um exemplo notável é a série Uncanny X-Force (2011), de Rick Remender e Jerome Opeña, onde o personagem, apesar de seu humor constante, se integrou bem ao time formado por Psylocke e Fantomex.

Na ocasião, o uso criativo do fator de cura de Deadpool — alimentando o faminto Anjo com pedaços de sua própria carne — mostrou que o personagem pode ser muito mais do que suas piadas recorrentes. Para Reynolds, a oportunidade de explorar essa faceta pode ser a chave para manter a relevância de Wade Wilson no cinema.