O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., reverteu uma proposta da FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA) que restringiria o acesso de menores de 18 anos a câmaras de bronzeamento artificial, segundo reportagem do Los Angeles Times publicada na quarta-feira (14).

A regra, que ainda exigiria que adultos assinassem um termo de responsabilidade antes de usar as máquinas, foi retirada por Kennedy no início de 2024. Especialistas em saúde pública há décadas alertam sobre os riscos do bronzeamento artificial, que está diretamente relacionado ao aumento do risco de câncer de pele.

Desde os anos 1930, pesquisadores já associavam a exposição à radiação ultravioleta a danos na pele. No entanto, foi apenas na década de 1980 que agências de saúde começaram a recomendar restrições ao uso excessivo de UV. Na época, a FDA passou a emitir avisos sobre pílulas de bronzeamento, estabeleceu limites para a exposição em câmaras de bronzeamento e lançou campanhas nacionais alertando sobre os perigos do bronzeamento artificial.

Embora Kennedy não tenha incluído explicitamente o bronzeamento em sua agenda de saúde, o hábito faz parte de seu estilo de vida. O secretário, de 72 anos, é conhecido por frequentar salões de bronzeamento em Washington e já defendeu publicamente os supostos benefícios da prática. Nas semanas que antecederam as eleições de 2024, ele criticou o que chamou de "guerra" da FDA contra a "luz solar", além de outras crenças controversas do movimento wellness, como a defesa do leite cru, do uso de hidroxicloroquina e ivermectina como cura para a Covid-19 e de substâncias psicodélicas.

Seus seguidores, que abraçam essas ideias, também passaram a incorporar o bronzeamento em suas rotinas de "bem-estar", incentivando o abandono do protetor solar e a construção de uma suposta "calosidade solar" — um termo recente para descrever a tolerância ao sol, conforme relatou o Los Angeles Times.