O senador Lindsey Graham protagonizou um momento de tensão durante uma audiência no Senado nesta terça-feira (13), ao criticar as negociações do governo Donald Trump com o Irã e questionar a credibilidade do Paquistão como mediador no conflito.

A discussão ocorreu durante uma sessão da Subcomissão de Dotações do Senado sobre o orçamento de US$ 1,5 trilhão solicitado pelo Pentágono. Graham se mostrou frustrado ao abordar um relato da CBS News, segundo o qual o Paquistão teria permitido que aviões iranianos pousassem em suas bases militares, possivelmente para proteger os ativos militares do Irã de possíveis ataques aéreos dos EUA.

O senador pressionou o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, e o secretário de Defesa Pete Hegseth, perguntando se eles acreditavam que tal ação estaria alinhada com o papel do Paquistão como mediador entre os EUA e o Irã. Ambos os líderes militares se recusaram a se posicionar.

“Eu não quero me envolver nessas negociações.”
— Pete Hegseth

Graham, no entanto, não aceitou a resposta e rebateu:

“Bom, eu quero! Quero me envolver nessas negociações!”

Ele continuou, exaltado:

“Não confio no Paquistão nem um pouco! Se eles realmente abrigam aviões iranianos em suas bases para proteger ativos militares, isso significa que devemos procurar outro mediador. Não é à toa que essas negociações estão indo a lugar nenhum!”

Em uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), Graham afirmou que, se os relatos forem confirmados, seria necessário uma reavaliação completa do papel do Paquistão como mediador. Ele também sugeriu que a lealdade de Islamabad a Israel estaria em questão, embora não tenha citado declarações específicas.

O Paquistão, por sua vez, negou as acusações por meio do Ministério das Relações Exteriores, classificando o relato da CBS como “sensacionalista e enganoso”. Segundo a pasta, os aviões iranianos pousaram no país durante um cessar-fogo e não tinham relação com qualquer estratégia militar.

“As alegações são especulativas, enganosas e completamente descontextualizadas.” — Ministério das Relações Exteriores do Paquistão

Apesar da negação, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o chefe das Forças Armadas, Asim Munir, seguem como figuras-chave nas negociações de cessar-fogo, que permanecem frágeis. A situação se agravou após Donald Trump declarar, no domingo (11), que as últimas propostas apresentadas pelo Irã eram “totalmente inaceitáveis”.