A Stripe, gigante de pagamentos, anunciou o lançamento do Tempo, um blockchain projetado para superar a capacidade do Bitcoin, que processa cerca de 5 transações por segundo (TPS). No entanto, dados recentes revelam que o Tempo opera com menos de 3 TPS, abaixo até mesmo da rede da criptomoeda líder.
Em setembro do ano passado, o CEO da Stripe, Patrick Collison, afirmou que o Tempo teria capacidade para 10 mil TPS, superando amplamente o Bitcoin. A promessa era de que a nova blockchain atenderia às demandas de fluxos de pagamento institucional, que, segundo a empresa, não eram suportadas pelas soluções existentes.
Lançado oficialmente em 18 de março, o Tempo já havia levantado US$ 500 milhões em outubro de 2025, com avaliação de US$ 5 bilhões. Investidores como Thrive Capital, GreenOaks, Sequoia, Ribbit e SV Angel participaram do aporte. Além disso, a Paradigm, empresa de venture capital, também contribuiu para o desenvolvimento da rede, com seu cofundador, Matt Huang, atuando como CEO do projeto.
Desempenho real do Tempo: queda acentuada desde o lançamento
Após cinco semanas de operação, os números do Tempo mostram um cenário preocupante. A rede registrou cerca de 5,6 mil usuários ativos diários, gerou apenas US$ 205 em taxas de transação em 24 horas e possui US$ 3 milhões em valor total bloqueado (TVL).
Para efeito de comparação, a Ethereum, uma das maiores blockchains do mercado, registrou US$ 1,4 milhão em taxas e US$ 45 bilhões em TVL no mesmo período.
Dados mostram declínio acentuado no uso da rede
- Novos usuários: O pico de novas carteiras criadas diariamente foi de 7.629 em 19 de março de 2026. Em 21 de abril, esse número caiu para 1.749, uma queda de 77%.
- Implantações de contratos: O recorde diário foi de 3.060 contratos implantados em 14 de abril, mas uma semana depois, esse número caiu para 863, uma redução de 72%.
- Volume de transferência de tokens: O pico foi superior a US$ 9 milhões em 17 de março, mas atualmente está dois terços menor.
- Volume em DEX (exchange descentralizada): Em 23 de abril, o volume diário foi de apenas US$ 56 mil, uma queda de 95% em relação ao pico e menos de 0,001% do volume global de DEXs. Para se ter uma ideia, o volume diário de negociações na DEX do Tempo mal chega a 2 mil, uma queda de 77% desde o pico de mais de 18 mil em março. O recorde de volume diário foi de US$ 1,1 milhão, mas desde então caiu 93%.
Os dados, obtidos por meio do Token Terminal e da própria Dune Analytics da Stripe, revelam que o Tempo, apesar do hype inicial e do investimento bilionário, ainda não conseguiu atrair adoção significativa.
Críticas e desafios para o Tempo
O projeto, que prometia revolucionar os pagamentos institucionais, enfrenta dificuldades para se estabelecer no competitivo mercado de blockchains. Enquanto soluções como Ethereum e Solana já demonstram capacidade de processar milhares de transações por segundo com adoção massiva, o Tempo ainda luta para atingir números expressivos.
Além disso, a queda acentuada nos indicadores de uso levanta dúvidas sobre a viabilidade a longo prazo da rede, especialmente diante de concorrentes já consolidados.