Trump excluído de negociações com Irã por comportamento imprevisível
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi afastado de negociações críticas com o Irã por sua própria equipe, que temia que seu comportamento imprevisível pudesse atrapalhar as discussões, segundo reportagem publicada pelo The Wall Street Journal no último sábado (13). A decisão foi tomada após um episódio em que Trump teria gritado com seus assessores por horas durante uma operação de resgate de pilotos de um caça F-15 abatido no final do mês passado.
Reação descontrolada durante operação militar
Segundo relatos de um alto funcionário da administração, a equipe de Trump decidiu mantê-lo afastado das atualizações minuto a minuto durante a operação de resgate, acreditando que sua impaciência não seria útil. As informações eram repassadas apenas em momentos estratégicos.
Após o resgate do segundo piloto, Trump voltou a fazer declarações agressivas. Em uma série de publicações no Truth Social, na manhã de Páscoa, ele prometeu "aniquilar completamente a civilização iraniana" em poucos dias. Fontes ouvidas pelo Journal afirmam que Trump acreditava que sua postura instável poderia pressionar o Irã a negociar.
Equipe tenta conter Trump diante da realidade da guerra
Não foi a primeira vez que a equipe de Trump decidiu mantê-lo afastado das decisões durante a ofensiva militar. Recentemente, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, convocou uma reunião com os principais assessores de Trump para discutir a falta de transparência sobre os impactos domésticos da guerra.
Wiles teria expressado preocupação de que a equipe estivesse pintando um quadro excessivamente otimista para Trump, que poderia não estar ciente da realidade política da guerra, especialmente a poucos meses das eleições legislativas nos EUA, segundo a Time.
Até então, Trump havia recebido apenas resumos em vídeo de sucessos no campo de batalha, sem informações sobre os custos reais da operação. Ele acreditava que a retirada de capacidade nuclear do Irã poderia ser um de seus maiores legados como presidente.
Guerra já dura sete semanas e gera consequências globais
A ofensiva superou o prazo inicial de seis semanas estabelecido pela administração. Nesse período, os EUA perderam acesso a uma importante rota comercial de petróleo no Oriente Médio, o que abalou os mercados globais e aumentou o custo de vida em todo o mundo. Além disso, a relação dos EUA com aliados históricos no Ocidente foi afetada.
Os custos da guerra já ultrapassam US$ 50 bilhões para os contribuintes americanos. A ofensiva também provocou uma rejeição política à ideologia "America First" (MAGA) em todo o país.
Segundo dados da mídia estatal iraniana, mais de 3.375 pessoas morreram no Irã, enquanto o Líbano registrou mais de 2.290 vítimas. Na região, 13 militares americanos também perderam a vida.
"A equipe de Trump decidiu mantê-lo afastado das atualizações minuto a minuto, acreditando que sua impaciência não seria útil para as negociações com o Irã."